
(Padre Carlos)
“Padre, e essas pesquisas que colocam ACM Neto na liderança para o governo da Bahia? O senhor acredita que ele pode derrotar Jerônimo em 2026?” — a pergunta me foi feita com insistência esta semana.
Depois de quase cinquenta anos acompanhando os bastidores da política, aprendi que eleição é como futebol: só termina quando a urna apita. Pesquisas não são sentença, mas sinalização. E os sinais de hoje mostram que ACM Neto é, sim, competitivo. Porém, o tabuleiro político é mais complexo do que aparenta.
A história baiana ensina lições claras. Em 2006, Paulo Souto liderava com folga, mas perdeu para Wagner quando ACM, o velho, decidiu nacionalizar a disputa batendo em Lula, então presidente. Em 2022, ACM Neto repetiu a liderança por meses, mas Jerônimo venceu porque Lula puxou o carro eleitoral na reta final.
Agora, em 2026, o que muda? As pesquisas em série revelam que Jerônimo e Lula estão reagindo positivamente, diminuindo rejeição e subindo nas intenções de voto. O lulismo, mesmo depois de duas décadas, ainda dita rumos na Bahia.
Do outro lado, a direita segue fragmentada. Bolsonaro, atrás das grades, longe de unir, divide. Eduardo Bolsonaro e o tarifaço só ampliam as fissuras. Nesse cenário, ACM Neto surge como uma alternativa organizada, mas sem a força gravitacional que Lula mantém.
Portanto, acreditar ou não nas pesquisas é secundário. O que importa é entender que o jogo só termina quando os votos são contados. E, até lá, a Bahia continuará sendo o espelho de Brasília: um campo onde as paixões nacionais se encontram com as disputas locais.




