
Padre Carlos
Há datas que não são apenas números no calendário, mas marcos simbólicos da história. O 13 de dezembro de 1968 carrega um peso trágico na memória nacional por causa do AI-5, mas o tempo, irônico e pedagógico, tratou de inscrever nesse mesmo dia o nascimento de um personagem central da democracia brasileira contemporânea: o ministro Alexandre de Moraes. Parabenizá-lo não é um gesto protocolar; é um ato político no melhor sentido da palavra — o reconhecimento público de quem assumiu responsabilidades históricas quando muitos preferiram o silêncio confortável.
Alexandre de Moraes tornou-se, nos últimos anos, um dos pilares da defesa do Estado Democrático de Direito. Em um país marcado por ciclos de autoritarismo, golpes interrompidos e democracias frágeis, coube a ele enfrentar o que há de mais perigoso na política moderna: o ataque sistemático às instituições, à Constituição Federal, à Justiça Eleitoral e à própria ideia de legalidade. Não se tratava de uma crise comum, mas de uma ofensiva organizada contra a democracia brasileira, alimentada por desinformação, radicalização política e desprezo pelas regras do jogo democrático.
Como ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes compreendeu algo essencial: a democracia não se defende com hesitação. Ela exige firmeza institucional, coragem jurídica e compromisso inegociável com a Constituição. Em momentos decisivos, quando ameaças à ordem democrática se tornaram explícitas, ele não se escondeu atrás de discursos neutros nem de formalismos vazios. Agiu. E agir, nesses contextos, tem custo pessoal, político e simbólico.
É preciso dizer com clareza: devemos muito a este homem. Devemos a ele a resistência institucional contra o autoritarismo travestido de “liberdade de expressão”. Devemos a ele a proteção do sistema eleitoral brasileiro, reconhecido internacionalmente, e a defesa da soberania do voto popular. Devemos a ele a reafirmação de que não há democracia sem limites legais, sem responsabilidade e sem respeito às decisões judiciais.
Os críticos o acusam de excessos; a história, porém, costuma ser mais justa do que as paixões do presente. Quando as instituições falham, a democracia cai; quando resistem, alguém precisa assumir o papel ingrato de guardião. Alexandre de Moraes aceitou esse papel. Não como herói messiânico, mas como servidor público consciente de sua missão constitucional. Em tempos de covardia política, a coragem institucional incomoda.
Celebrar seu aniversário é, portanto, celebrar a própria democracia brasileira. É reconhecer que o Supremo Tribunal Federal, apesar de todas as críticas legítimas que possa receber, foi decisivo para impedir o colapso institucional. É afirmar que a Constituição de 1988 segue viva porque houve quem estivesse disposto a defendê-la com rigor, autoridade e convicção.
Que este 13 de dezembro não seja apenas uma data comemorativa, mas um convite à reflexão nacional. A democracia não se sustenta sozinha. Ela depende de cidadãos vigilantes, instituições fortes e homens públicos dispostos a enfrentar a fúria dos intolerantes. Alexandre de Moraes fez isso. E por isso, gostemos ou não, a democracia brasileira lhe deve um capítulo central de sua sobrevivência recente.
Parabéns, ministro. A história haverá de registrar.




