Política e Resenha

ARTIGO – Barriga de aluguel: a metamorfose do Partido Verde na política baiana

 

 

(Padre Carlos)

A entrevista do presidente estadual do Partido Verde, Ivanilson Gomes, ao Bahia Notícias, caiu como uma bomba na cena política baiana. Ao admitir que o PV serviu, sim, de “barriga de aluguel”, ele trouxe à luz um problema que há muito tempo vem corroendo a credibilidade da política partidária no Brasil: a incoerência ideológica.

Na Bahia, o PV já esteve ao lado de grupos opostos. Primeiro, orbitou em torno do grupo do então prefeito de Salvador, ACM Neto. Depois, com a federação, passou a se alinhar ao PT, hoje representado pelo governador Jerônimo Rodrigues. Essa transição, porém, não foi acompanhada por um debate interno profundo sobre o que significa ser verde, nem pelo compromisso real de seus filiados com uma agenda ambiental, progressista e coerente.

O que se viu foi um desfile de parlamentares que encontraram no PV uma oportunidade de garantir mandato, sem se comprometer com suas bandeiras históricas. Da Câmara de Salvador à Assembleia Legislativa, passando pela Câmara dos Deputados, o partido funcionou mais como porta de entrada para quem queria renovar sua carreira do que como espaço de construção programática.

A admissão de Ivanilson Gomes é um ato de coragem, mas também um alerta. De nada adianta reconhecer o erro se o partido continuar no mesmo ciclo de conveniências. O Brasil já vive uma crise de representatividade. Quando um partido que deveria defender a causa ambiental se transforma em um simples cartório eleitoral, quem perde é o eleitor, quem perde é a democracia.

O PV precisa decidir se quer ser apenas mais uma legenda de aluguel ou se vai resgatar sua identidade. O discurso de Ivanilson abre espaço para reavaliar, exigir compromisso de seus parlamentares e romper com práticas que transformam a política em mera estratégia de sobrevivência.

A história não perdoa partidos que renunciam à sua essência. O eleitor muito menos.