Política e Resenha

ARTIGO – Bolsonaro, Tarcísio e o Jogo do Poder em 2026

 

 

(Padre Carlos)

A política brasileira nunca foi um terreno de certezas. Quem acompanha os movimentos recentes de Jair Bolsonaro já percebeu que, apesar do discurso aparentemente espontâneo, nada é dito sem cálculo. Sua mais nova afirmação de que deseja Ratinho Jr. como candidato à Presidência em 2026 soa, no mínimo, como uma cortina de fumaça.

Nos bastidores, o que Bolsonaro realmente gostaria de ver é Tarcísio de Freitas encabeçando o projeto nacional da direita. O governador de São Paulo, além de ser um quadro técnico que herdou boa parte da popularidade do ex-presidente, administra o segundo maior orçamento público do país — perdendo apenas para a União. Uma estrutura dessa magnitude representa poder, capilaridade e condições objetivas para um salto à Presidência.

Porém, o cenário mudou. As pesquisas apontam que Lula mantém força eleitoral, contrariando a expectativa de enfraquecimento acelerado de seu governo. Bolsonaro, pragmático e temeroso de um revés nas urnas, recua. Ao lançar o nome de Ratinho Jr., coloca um “boi de piranha” no jogo, alguém que pode ser queimado sem comprometer a principal carta que é Tarcísio.

A estratégia é clara: manter o governador de São Paulo em “standby” até janeiro de 2026, observando a evolução das pesquisas. Se Lula cair, Tarcísio pode ser lançado como o grande nome da direita. Se Lula continuar firme, Bolsonaro preserva seu aliado em São Paulo, garantindo assim o controle de um orçamento bilionário e um palanque estratégico para 2030.

Trata-se de um jogo de poder no qual as peças são movimentadas com cuidado. Bolsonaro sabe que, sem cargo e sem mandato, sua relevância política depende da sobrevivência de seus aliados. O discurso de neutralidade, portanto, é apenas uma encenação para ganhar tempo e proteger o verdadeiro trunfo.

O Brasil de 2026 será palco de um duelo não apenas entre esquerda e direita, mas também entre estratégias de sobrevivência e projetos de poder. A candidatura de Ratinho Jr., se confirmada, pode ser apenas um disfarce. Já Tarcísio, com sua caneta em São Paulo, segue sendo a peça-chave do tabuleiro bolsonarista.