Política e Resenha

ARTIGO – Brutalidade e Impunidade: Um Paralelo Entre Chacinas no Rio e em Salvador

 

 

(Padre Carlos)

O que aconteceu esta semana no Rio de Janeiro nos lembra, de forma cruel, que a história recente do Brasil está marcada pela repetição de chacinas que atingem os mais pobres. Não é novidade: há dez anos, Salvador viveu a tragédia do Cabula, quando vidas foram ceifadas de maneira indiscriminada e o Estado mostrou, mais uma vez, sua face mais brutal. Hoje, ao rever os acontecimentos no Rio, fica claro que nada mudou. Quando se trata de Direitos Humanos, o que prevalece é a força do aparato estatal, seja ele governado pela direita ou pela esquerda.

A chacina no Rio reforça algo que poucos querem admitir: tanto a direita quanto a esquerda escondem sob o tapete a violência contra favelados e pobres. O Estado se protege da própria brutalidade, criando narrativas e buscando respostas em análises técnicas e políticas, mas a verdade é que todos têm telhado de vidro. Dez anos depois, volta à tona a terrível comparação feita pelo então governador Rui Costa, que classificou os policiais do Cabula como “artilheiros na frente do gol”. Um comentário irresponsável e impossível de desculpar diante de crimes dessa magnitude, e que nos mostra como os governos lidam com a violência: com frieza, estratégia política e impunidade.

O impacto político é inevitável. Como observou a professora Joana Monteiro, especialista em políticas públicas da FGV/Ebape, a segurança pública será o tema central nas eleições de 2026. O governo federal precisará entender o cenário ou enfrentará sérios problemas. Mas a lição que permanece é triste e clara: a brutalidade do Estado não escolhe cor política, escolhe vítimas. E essas vítimas, quase sempre, são os pobres que vivem à margem da sociedade, sem proteção, sem voz, à mercê de uma impunidade institucionalizada.