Política e Resenha

ARTIGO – Congresso age como sindicato dos ricos, sacrificando os pobres

 

(Padre Carlos)

Enquanto o povo brasileiro aperta o cinto, sacrifica o almoço para garantir a janta, e enfrenta filas nos hospitais e nas portas do INSS, uma elite política inescrupulosa se organiza para proteger seus próprios privilégios com unhas e dentes. É isso mesmo: em pleno ano de ajuste fiscal, quando se fala em cortar gastos, não se trata de cortar o que sangra os cofres públicos de verdade — as benesses do alto clero do Congresso Nacional —, mas sim de asfixiar ainda mais os pobres, os trabalhadores e os aposentados que sustentam esse país.

Essa semana, tivemos mais um exemplo do escárnio. O deputado Hugo Motta, diante de uma plateia de empresários, disse que o governo “precisa fazer o dever de casa” e cortar gastos. Mal terminou o discurso, apresentou um projeto que permite aos parlamentares acumular aposentadoria especial com salário de deputado. Uma vergonha! Desde 1997, essa acumulação é proibida. Mas agora, como se fosse algo justo, querem reverter a regra para garantir mais um privilégio para poucos.

E não para por aí. A Câmara aprovou um aumento no número de deputados com direito a reembolso de até R$ 46 mil mensais, além dos já conhecidos R$ 5 mil de auxílio-moradia. Querem convencer o povo de que isso é normal, enquanto empurram para a população a conta do ajuste, dizendo que é preciso rever o salário mínimo, cortar o piso da saúde e da educação.

É hipocrisia pura! Eles não querem debater a redução dos R$ 50 bilhões anuais em emendas parlamentares — a famosa moeda de troca para barganhas políticas. Não querem falar dos subsídios indevidos que protegem grandes fortunas, latifundiários e grupos econômicos. Não querem tocar nos privilégios que garantem a elite econômica e política uma blindagem total contra a crise.

Enquanto isso, a bomba estoura sempre no mesmo colo: o dos mais pobres. A proposta de ajuste fiscal do governo, sob pressão desses setores, mira o aumento da carga tributária sobre consumo, a precarização dos serviços públicos e a restrição do acesso à saúde e educação. Isso não é reforma. É perversidade.

O sociólogo Marcelo Medeiros foi certeiro ao afirmar: “Ao fazer isso, o Congresso atua como sindicato dos ricos”. E não há expressão melhor. Os verdadeiros sindicatos dos trabalhadores, perseguidos e criminalizados, lutam por direitos básicos. Já o “sindicato dos ricos” se reúne nos salões refrigerados do Congresso para garantir que nada toque em seus privilégios, enquanto o povo come o pão que o diabo amassou.

Chega! O Brasil precisa de uma reforma tributária que taxe os super-ricos, que corte os privilégios do alto escalão, que acabe com aposentadorias especiais e mordomias parlamentares. O povo não aguenta mais pagar essa conta injusta.