
(Padre Carlos)
O Dia da Democracia deveria ser um momento de celebração, mas acabou marcado em Vitória da Conquista por um comentário polêmico que merece reflexão. Um importante radialista, ao repercutir a Operação Overclean — investigação que já prendeu um ex-secretário municipal e mira um esquema de fraudes que pode ter desviado dinheiro dos cofres públicos — afirmou que “tem gente fazendo xixi nas calças” na cidade.
A frase impacta, chama atenção e traduz o clima de tensão. Mas também carrega um risco: o de lançar suspeitas sobre uma administração inteira que, até prova em contrário, tem se mostrado séria, reeleita e responsável pela melhoria dos índices de qualidade de vida em Vitória da Conquista. É justo colocar sob dúvida o trabalho de quem se dedica à gestão pública por conta de insinuações?
A Operação Overclean, conduzida pela Polícia Federal, CGU, Receita Federal e Ministério Público Federal, com apoio da agência americana Homeland Security, é uma das maiores investigações de corrupção já vistas na Bahia. Envolve contratos superfaturados de limpeza urbana e pavimentação em vários municípios, expondo um gigantesco esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Nesse contexto, é natural que o noticiário ganhe contornos fortes.
Entretanto, democracia exige responsabilidade. Se há culpados — sejam eles políticos, servidores públicos ou empresários — que sejam identificados e punidos conforme a lei. Mas não podemos transformar a comunicação em um tribunal de frases de efeito. A sociedade clama por justiça, mas justiça se faz com provas, não com insinuações que colocam sob suspeita o trabalho de muitos para atingir poucos.
No Dia da Democracia, é preciso lembrar: a liberdade de imprensa é fundamental, mas deve caminhar de mãos dadas com a prudência. A verdade deve vir à tona, doa a quem doer, mas sem deixar no ar uma espada de desconfiança que atinge indistintamente inocentes e culpados. Vitória da Conquista, assim como o Brasil, merece um debate público limpo, justo e transparente.




