Política e Resenha

ARTIGO – Duplicação do Sudoeste: O Asfalto que Nunca Chega 

 

 

A paciência do povo do Sudoeste baiano parece não ter fim, mas também não tem recompensa. Enquanto a promessa da duplicação da BR-116 se repete como um refrão cansado nas campanhas eleitorais, o novo edital anunciado para dezembro de 2025 deixa Vitória da Conquista e toda a região mais uma vez de fora. É duro admitir, mas a verdade está no papel: o projeto contempla apenas o trecho entre Feira de Santana e Salgueiro, em Pernambuco — batizado de “Rota dos Sertões” — ignorando o Sudoeste como se aqui não passasse vida, progresso e carga para o Brasil inteiro.

Quem conhece a BR-116 sabe: ela é mais que uma rodovia. É artéria vital para o transporte de mercadorias, a ligação de famílias e o escoamento da produção agrícola. Mas, para nós, continua sendo também sinônimo de buracos, acidentes e longas filas de caminhões. Não é por acaso que, nos últimos anos, tragédias se acumularam nessa pista estreita, que parece não acompanhar o tamanho da economia que sustenta.

Quando se fala em desenvolvimento regional, duplicar a BR-116 no Sudoeste não é luxo — é necessidade urgente. Vitória da Conquista é o terceiro maior polo econômico da Bahia, ponto de convergência de estados vizinhos como Minas Gerais e Espírito Santo. Deixar nossa região fora do plano de concessão é mais que um erro logístico: é uma negligência histórica.

A “Rota dos Sertões” pode ser um nome bonito, mas carrega o peso de um mapa que exclui. Ao mesmo tempo em que investe em um trecho estratégico do Nordeste, o governo fecha os olhos para um corredor rodoviário que sustenta boa parte do comércio entre o Sudeste e o Norte/Nordeste. É como se a duplicação fosse sempre para “o próximo edital” — promessa que nunca chega, como chuva que ameaça cair, mas se perde no vento.

Esperar? Sim, teremos que esperar mais uma vez. Mas a paciência do Sudoeste já está no limite. Não se trata de capricho localista, mas de justiça econômica e de segurança para quem cruza diariamente essa estrada. Se quisermos que esse asfalto finalmente dobre de tamanho, será preciso mais do que resignação: será preciso voz, pressão e união.

O Sudoeste não pode ser eternamente o fim da fila.

JOSÉ MARIA CAIRES

DUPLICA SUDOESTE