
(Padre Carlos)
Neste sábado, 5 de julho, a cidade de Planalto, no sudoeste da Bahia, amanheceu de luto e com a alma dilacerada por um crime que é mais do que brutal: é simbólico. Edlane Luz, uma mulher, uma filha, uma cidadã, foi assassinada com requintes de ódio e perversidade pelo ex-companheiro — em plena via pública, aos olhos da população.
Ela caminhava pela rua quando foi atropelada de forma intencional. Mesmo depois de derrubá-la com o carro, o agressor desceu do veículo, a perseguiu como se caçasse um inimigo, e deferiu contra ela diversos golpes de faca. Uma execução. Uma barbárie. Um crime que não é isolado, mas sim parte de um ciclo cruel e repetido que chamamos de feminicídio.
Não é apenas Edlane que morreu neste sábado. Morreu mais uma mulher que confiou, amou e acreditou que podia seguir sua vida em paz. Morreu mais uma vida ceifada por um homem que achou que tinha o direito de decidir se ela podia viver ou não. E infelizmente, essa morte não foi suficiente para impedir que o assassino fugisse. Ele segue foragido. Livre. Enquanto isso, a cidade de Planalto enterra não só um corpo, mas também um grito por justiça.
A Polícia Civil trata o caso como feminicídio. Mas será que basta classificar juridicamente? Será que nomear é suficiente quando sabemos que tantas outras mulheres caminham hoje pelas ruas de suas cidades, em silêncio, com medo, sendo perseguidas por seus agressores?
Quantas Edlanes ainda vão morrer até que políticas públicas saiam do papel e cheguem aos municípios pequenos como Planalto? Quantas vão precisar sangrar nas calçadas para que os sistemas de proteção funcionem?
A dor dessa cidade deve ecoar em Vitória da Conquista, em Salvador, em Brasília. Deve ecoar nos tribunais, nas delegacias, nas igrejas, nas escolas. Porque quando uma mulher morre por ser mulher, toda a sociedade fracassa.
Edlane foi assassinada. Sim. Mas também foi negligenciada. Ela não morreu apenas pelas mãos de um homem: ela morreu também pelo silêncio, pela omissão e pela demora de um Estado que ainda falha em proteger suas cidadãs.
Que a morte de Edlane Luz não seja apenas mais uma estatística na crônica policial. Que ela seja um marco. Um basta. Que sua memória nos convide à revolta, à ação e ao compromisso com a vida.
Porque nenhuma mulher deve morrer por querer viver em paz.




