Política e Resenha

ARTIGO – Este povo não se decide, assim cansa minha beleza!

 

Por Padre Carlos

Ah, o Brasil — esse eterno carnaval político onde o enredo muda mais rápido que o humor do brasileiro numa segunda-feira. Ontem, o grito era “Intervenção Militar Já!”, e hoje, os mesmos foliões marcham pedindo “Anistia Já!”. É o país do “jeitinho”, da “memória seletiva” e da “fé em causa própria”.

Vejamos: apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, aquele mesmo que achava que a Terra era plana em Brasília, resolveram desfilar — digo, marchar — em defesa da anistia para quem tentou um golpe de Estado. Querem perdoar o imperdoável, apagar o 8 de janeiro de 2023 como quem apaga um print comprometedor no WhatsApp.

A ironia é que o mesmo povo que gritava “Supremo é o povo!” agora implora ao Congresso — aquele mesmo que chamavam de “vendido” — para livrar seu líder de 27 anos de cadeia. Ora, decidam-se! Ou o Estado é “comunista” e “opressor”, ou é o novo templo da misericórdia bolsonarista. Não dá para ser as duas coisas, minha gente.

Talvez o Brasil devesse criar um novo ministério: o Ministério da Memória Curta e da Contradição Nacional. Seria o mais movimentado da Esplanada. Afinal, se há uma especialidade genuinamente brasileira, é a capacidade de ser contra o sistema até o momento em que ele pode te beneficiar.

E assim seguimos: entre bandeiras verde-amarelas desbotadas e faixas pedindo “anistia para o mito”, caminhamos a passos largos rumo ao abismo do absurdo político. O golpe virou espetáculo, a prisão virou causa e a contradição, religião.

O Brasil, de fato, é o país do perdão fácil — mas que ninguém espere anistia para o bom senso. Esse, há tempos, foi condenado à prisão perpétua.