Política e Resenha

ARTIGO – Lula Aprendeu com os Erros e Corrige o Rumo nas Indicações ao STF

 

 

 

(Padre Carlos)

Dizem que Lula e Dilma Rousseff tinham “dedo podre” para indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal. A expressão, repetida à exaustão por adversários e analistas, serviu durante anos para sugerir que o lulopetismo, apesar de sua habilidade política, seria incapaz de formar um tribunal fiel aos princípios democráticos e ao povo que os elegeu. Mas as últimas indicações de Lula mostram que o presidente aprendeu com os erros e amadureceu politicamente, sobretudo na relação com o STF e com a sociedade.

Lula, em seus mandatos anteriores, escolheu nomes que, mais tarde, se mostraram distantes das bandeiras sociais e do projeto político que ajudou a reconstruir o Brasil. Alguns ministros agiram como se o Supremo fosse um poder acima da Nação e não parte dela. Outros, pressionados pela mídia e pelo moralismo judicial, acabaram contribuindo para uma das maiores injustiças políticas da história recente: a perseguição que levou à prisão de Lula e à distorção do sistema jurídico.

Essas experiências amargas ensinaram. Lula, que é antes de tudo um homem que aprende com o erro, parece ter entendido que o Supremo precisa refletir a pluralidade do país, mas também preservar o equilíbrio entre justiça e democracia. As suas últimas indicações, como a de Cristiano Zanin e agora a possível escolha de Jorge Messias, revelam uma virada estratégica — e ética.

Zanin representou mais do que um advogado pessoal: foi símbolo de resistência contra o lawfare, o uso da Justiça como arma política. Sua chegada ao STF reintroduziu o senso de humanidade no tribunal, com votos ponderados, respeito às garantias constitucionais e firmeza no combate aos abusos de poder.

Já Jorge Messias, se confirmado, representa outra lição aprendida. Evangélico, discreto e conciliador, ele desmonta a narrativa de que o PT é inimigo da fé. O partido, que sempre foi associado a movimentos populares e minorias, agora se aproxima de um segmento que tem peso real na sociedade: os evangélicos. Lula compreendeu que o Brasil profundo não se governa apenas com ideologia — é preciso sensibilidade cultural e espiritual.

Além disso, Messias tem uma formação sólida e trajetória coerente dentro do campo jurídico. Sua postura técnica, sem exibicionismos, faz contraste com o estrelismo que contaminou parte da magistratura. Ele representa o tipo de ministro que entende o papel do Supremo como guardião da Constituição, não como protagonista político.

Essa evolução mostra um Lula mais maduro, estratégico e atento às novas dinâmicas da sociedade. Não se trata de buscar ministros “fiéis ao governo”, mas comprometidos com a justiça e com o país real — aquele que trabalha, acredita e ora.

Ao contrário do passado, quando Lula e Dilma pareciam indicar ministros confiando na lealdade pessoal, agora as escolhas refletem um cálculo mais institucional: a necessidade de recompor o equilíbrio entre os Poderes e resgatar a credibilidade da Corte perante o povo.

A democracia se fortalece quando o Supremo deixa de ser trincheira e volta a ser tribunal. E Lula, com a experiência de quem já foi vítima da injustiça, sabe que não há futuro para o Brasil se o STF continuar sendo campo de disputas ideológicas.

Dizem que ele tinha “dedo podre”. Hoje, parece que Lula aprendeu a usar a cabeça e o coração — com um toque de sabedoria e um senso de justiça que vem da dor e da experiência.