Política e Resenha

ARTIGO – O Anel Viário de Vitória da Conquista: Entre o Progresso e o Caos

 

(Padre Carlos)

Vitória da Conquista não é apenas um polo regional de serviços e saúde; é também um corredor logístico estratégico. Cortada pela BR-116, uma das mais importantes rodovias do Brasil, a cidade respira transporte, comércio e indústria. Contudo, esse fluxo de riqueza e movimentação se transforma em dor de cabeça para quem precisa atravessar o anel viário. Cada cruzamento virou um ponto de tensão, e nos horários de pico, a rotina de motoristas e pedestres se resume em engarrafamentos intermináveis e riscos de acidentes.

O cenário é desolador: filas que se estendem por dois ou três quilômetros, esperas de mais de 20 minutos, e uma estatística que cresce como mancha vergonhosa. Só neste ano, cerca de 50 acidentes foram registrados pela Polícia Rodoviária Federal no trecho. A ausência de sinalização adequada e a falta de uma estrutura compatível com o movimento intenso de veículos pesados tornam o anel viário uma verdadeira armadilha.

Não se trata apenas de melhorar a mobilidade; trata-se de preservar vidas. O transporte é a espinha dorsal de uma cidade em crescimento, e Vitória da Conquista não pode conviver com uma infraestrutura defasada enquanto sonha em se consolidar como polo de desenvolvimento do sudoeste baiano. A criação da rota turística dos cafés especiais, por exemplo, tende a ampliar ainda mais o tráfego e expor as fragilidades da atual estrutura.

A promessa existe. Em reunião com o Ministério dos Transportes e o Governo da Bahia, ficou previsto o investimento de R$ 40 milhões para a construção de dois viadutos no anel viário, sendo um deles na saída para Itambé. O governador Jerônimo Rodrigues comprometeu-se a entregar o projeto. Contudo, o que vemos até agora é apenas expectativa. Expectativa que não salva vidas, não reduz o risco de colisões e nem alivia o estresse diário de quem depende desse trecho para trabalhar.

É urgente que os projetos saiam do papel. Viadutos, passarelas, mergulhões, todas essas alternativas precisam ser estudadas e executadas com celeridade. Vitória da Conquista cresceu, modernizou-se, mas o anel viário continua aprisionado em velhas soluções. O futuro da mobilidade na cidade passa necessariamente por esse eixo estratégico. Não há mais espaço para paliativos: o que está em jogo é o equilíbrio entre o progresso e o caos.

Enquanto os governos não assumirem de fato a responsabilidade, o anel viário continuará a ser não apenas um corredor de transporte, mas também um corredor de riscos. E isso, para uma cidade que se projeta como referência, é simplesmente inaceitável.