Política e Resenha

ARTIGO – O Carreirismo Político e a Falta de Renovação em Vitória da Conquista

 

 

(Padre Carlos)

O Parlamento não é profissão, mas muitos dos nossos deputados de Vitória da Conquista parecem ter esquecido este princípio fundamental da democracia. O mandato eletivo é, em essência, uma missão temporária de representação, uma oportunidade de servir ao povo e, depois, abrir espaço para novos quadros políticos. Contudo, a realidade que vivemos há mais de vinte anos mostra o contrário: o carreirismo político se tornou prática comum.

Esse apego às cadeiras legislativas sufoca a renovação, impede a circulação de novas ideias e acaba por cristalizar grupos que se fecham em torno de seus próprios interesses. O resultado é um eleitorado cansado e uma esquerda que não consegue se reinventar. Ao contrário da direita conquistense, que, após a era Pedral, soube se reconstruir, buscar novas lideranças e até surpreender em determinados momentos, a esquerda permanece engessada, presa a nomes que se eternizam de vereador a deputado federal, sem abrir brechas para que outras vozes possam surgir.

O carreirismo político é prejudicial não apenas ao debate público, mas também à própria vitalidade democrática. Ele afasta a juventude, esvazia os partidos e transforma a política em carreira privada, e não em espaço de serviço coletivo. Enquanto alguns se perpetuam, gerações inteiras ficam sem representação e sem oportunidade de exercer a cidadania em sua plenitude.

Vitória da Conquista merece mais. Merece líderes que entendam que a democracia é movimento, que o poder não é herança e que o mandato não é profissão. A cidade precisa de políticos que tenham a coragem de servir e, depois, abrir espaço para os outros. Só assim será possível recuperar a esperança de um futuro mais justo, plural e verdadeiramente democrático.