
(Padre Carlos)
Enquanto o mundo segura a respiração diante da escalada bélica no Oriente Médio, uma voz de lucidez ecoa de onde menos se esperava: o Congresso dos Estados Unidos. Em meio à beligerância irresponsável do presidente Donald Trump, que bombardeou instalações nucleares iranianas sem autorização legislativa, o parlamento norte-americano se ergueu como a última muralha entre a razão e o abismo.
A deputada Alexandria Ocasio-Cortez foi incisiva: a decisão foi “desastrosa” e uma “grave violação da Constituição”. E ela está certa. Bombardear uma nação soberana, sem o aval do Congresso, representa não apenas um abuso de poder, mas um risco geopolítico de proporções catastróficas. Não é apenas uma questão de legalidade — é uma questão de humanidade.
Em tempos normais, a sensatez viria do Executivo, que deveria primar pela paz, pela diplomacia e pela estabilidade global. Mas não vivemos tempos normais. Vivemos sob a ameaça constante de uma personalidade errática que governa por impulso e desafia os pilares democráticos dos EUA. E é por isso que se torna fundamental reconhecer: o Congresso hoje é mais estadista que o próprio presidente.
Mesmo um deputado republicano, Thomas Massie, rompeu o silêncio e a disciplina partidária para afirmar: “Isso não é constitucional”. O gesto revela que há, dentro da máquina pública norte-americana, quem ainda respeite os limites do poder e compreenda a gravidade de decisões militares unilaterais.
A reação congressual não é apenas um gesto político; é um ato de contenção histórica. Cada palavra, cada denúncia, cada proposta de impeachment pode significar vidas poupadas, conflitos evitados, lares preservados. A omissão, por outro lado, seria conivência com a destruição.
O mundo não pode ser refém da arrogância de um só homem. A Constituição americana, construída para evitar tiranias, está sendo colocada à prova. E cabe ao Congresso dos Estados Unidos — democratas e republicanos — mostrar que ainda há um norte moral, que ainda existe equilíbrio, e que a democracia não se curva diante de impulsos autoritários.
A guerra é um monstro que, quando despertado, não distingue culpados de inocentes. Neste momento, cada atitude sensata, cada posicionamento firme, cada voz que se ergue contra a insanidade presidencial pode ser um antídoto contra o horror. O Congresso dos EUA tem agora a missão de salvar não só a própria democracia, mas talvez o próprio mundo.




