Política e Resenha

ARTIGO – O discurso seletivo da oposição em Vitória da Conquista

 

(Padre Carlos)

Há discursos que não se sustentam quando confrontados com a realidade. É curioso ver vereadores da oposição em Vitória da Conquista levantarem bandeiras contra a possibilidade da Prefeitura contrair um novo empréstimo para investir na cidade, como se isso fosse um crime de lesa-pátria. Ora, será que esses parlamentares não vivem na Bahia? Ou será que preferem fingir que não enxergam o que acontece a poucos metros da Praça Castro Alves, no Palácio de Ondina?

Na semana passada, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) sancionou um novo empréstimo para o Governo do Estado, no valor de nada menos que JPY$ 122,5 bilhões – algo em torno de R$ 4,5 bilhões na cotação atual. E esse não foi o primeiro: já é o 19º empréstimo da atual gestão desde 2023, somando mais de R$ 23 bilhões em operações de crédito.

Pergunto: onde estavam esses críticos tão ferozes da Prefeitura de Vitória da Conquista quando o governo estadual multiplicava empréstimos, um atrás do outro? Será que o que vale para a administração municipal não vale para o Estado?

É evidente que o discurso é seletivo. Quando interessa, empréstimos são vistos como instrumentos legítimos para financiar infraestrutura, melhorar serviços e tocar obras. Mas quando é a prefeita Sheila Lemos quem busca a mesma estratégia, logo surgem vozes de indignação, como se houvesse uma conspiração contra as futuras gerações.

Empréstimos não são vilões. Eles fazem parte da engrenagem de qualquer gestão pública moderna. O problema não está no ato de contrair crédito, mas sim na forma como os recursos são aplicados, na transparência e na capacidade de garantir retorno social. E é nesse ponto que a oposição deveria concentrar sua fiscalização: acompanhar cada centavo, cobrar eficiência e exigir obras de impacto real para a população.

O que não se pode aceitar é essa narrativa hipócrita, em que o que é permitido ao governo estadual torna-se pecado mortal quando parte da Prefeitura. Vitória da Conquista precisa de investimentos, precisa de infraestrutura e não pode ficar refém de discursos inconsistentes que escondem mais intenções políticas do que preocupação com a cidade.