Política e Resenha

ARTIGO – O eterno escândalo de Ciro Nogueira: quando a política se confunde com propina

 

(Padre Carlos)

Mais uma vez, o nome de Ciro Nogueira reaparece estampado nas manchetes policiais, e não é novidade para ninguém. O senador do Progressistas, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, foi citado em mais um escândalo que mistura dinheiro vivo, propina milionária e conexões nada republicanas.

Segundo depoimentos e investigações da Polícia Federal, o parlamentar teria recebido cifras vultosas: de R$ 500 mil entregues na garagem de sua casa pelo empresário Joesley Batista, a nada menos que R$ 7,3 milhões da Odebrecht entre 2010 e 2015. Como se não bastasse, auditores da Receita Federal apontam omissão de rendimentos que podem somar uma dívida de R$ 17 milhões aos cofres públicos.

Mas Ciro Nogueira é uma espécie rara da política brasileira: já foi acusado de propina, associação criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, e até de ter recebido recursos de integrantes do PCC. Em todas essas situações, ou foi absolvido, ou o processo simplesmente se arrastou no tempo. Para muitos, trata-se de um sujeito de “extrema sorte”. Para outros, apenas mais um exemplo daquilo que chamamos de “justiça seletiva” no Brasil.

A pergunta que ecoa é: até quando? Até quando a política brasileira será palco desse teatro grotesco em que senadores se transformam em personagens de novelas policiais? Até quando veremos homens públicos transformando seus mandatos em balcões de negócios?

Ciro Nogueira foi peça-chave no impeachment de Dilma Rousseff, sustentáculo de Michel Temer, e braço direito de Jair Bolsonaro. Sempre bem posicionado no tabuleiro do poder, soube sobreviver a todos os vendavais. Mas agora, com Lula de volta ao Planalto, as coisas mudaram de figura. O que antes era silêncio, hoje se tornou barulho ensurdecedor.

Se os chamados “patriotas” que vandalizaram o Congresso foram condenados a 17 anos de prisão, o que dizer de quem movimentou milhões em propina, negociou com grandes empreiteiras e ainda se aproximou de facções criminosas?

No fim das contas, Ciro Nogueira representa o retrato cruel da política brasileira: um sistema que premia a esperteza, protege a impunidade e transforma corruptos em figuras quase intocáveis. Mas o vento mudou. E, se a Justiça tiver coragem, talvez o “sortudo” senador descubra que, desta vez, não haverá saída pela tangente.