Política e Resenha

ARTIGO – O Irã tem o direito de se defender: os EUA não são os donos do mundo

 

 

(Padre Carlos)

Em meio ao recrudescimento das tensões no Oriente Médio, mais uma vez o mundo observa o velho roteiro de potências ocidentais tentando ditar o que é certo ou errado para outras nações. O Irã, país soberano, foi atacado por Israel e, conforme o direito internacional, tem todo o direito de se defender. A tentativa de silenciar essa reação legítima é não só injusta como perigosa para o equilíbrio global.

O conflito entre Israel e Irã entrou em seu sexto dia. Bombardeios de parte a parte marcam o cenário de uma guerra que carrega décadas de desconfiança, intervenções e pressões externas. A justificativa usada por Israel — a suposta prevenção contra armas nucleares — ecoa o mesmo discurso que levou à destruição do Iraque, país que jamais comprovou a posse dos tais arsenais. Agora, mais uma vez, o mundo assiste à retórica de guerra baseada em hipóteses, enquanto civis inocentes pagam com a vida.

Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, surge como um catalisador da instabilidade, ao exigir a “rendição incondicional” do Irã, como se o país persa fosse um Estado submisso. A resposta do aiatolá Ali Khamenei foi clara: o Irã não irá se curvar. “Jamais nos renderemos em resposta aos ataques de quem quer que seja”, afirmou o líder supremo. Não é apenas uma frase de impacto, é um posicionamento que remete à autodeterminação dos povos e à recusa em ser dominado por interesses geopolíticos estrangeiros.

Os Estados Unidos, ao mobilizar aviões militares e ameaçar entrar diretamente no conflito, alimentam a escalada e se colocam mais uma vez como polícia do mundo. Mas o que os EUA fariam se outro país os atacasse sob a justificativa de conter armamentos? Certamente responderiam com toda a força. Por que o Irã não teria o mesmo direito? A soberania não é seletiva. A legalidade internacional não pode ser aplicada conforme os interesses da OTAN ou de Washington.

Mais que um conflito regional, o que está em jogo é o próprio conceito de justiça global. Quando potências se permitem invadir, interferir e destruir nações em nome de sua própria segurança, abrem as portas para um mundo onde o mais forte dita a lei — e isso não é civilização, é barbárie.

Por isso, é preciso reafirmar: o Irã tem o direito de se defender. A escalada do conflito exige diplomacia, não fanfarronice geopolítica. E os EUA precisam entender que sua época de xerife global está chegando ao fim. O mundo multipolar já começou — e não há míssil, retórica ou intimidação que o impeça de se consolidar.