Política e Resenha

ARTIGO – O Jogo das Cadeiras Petista

 


 (Padre Carlos)

Oi, pessoal. Vocês lembram do jogo das cadeiras? Aquele em que a música toca, todos giram em volta, e quando ela para, alguém sempre fica de pé — e eliminado? Pois é. O que era uma brincadeira infantil virou uma metáfora perfeita para o que está acontecendo dentro do PT baiano. A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal transformou-se em uma dança política frenética, onde a música do poder toca alto, mas as cadeiras são poucas demais para tantos pretendentes.

Em 2022, o ritmo foi o mesmo. O vice-governador João Leão acabou ficando de pé. Naquele ano, o plano era que Rui Costa deixasse o governo para concorrer ao Senado. Mas como só havia uma vaga, o partido precisou escolher entre Rui e Otto Alencar. A música parou, Otto sentou, Rui ficou em pé, e Leão saiu do jogo. Resultado: um fiasco político e uma ferida que nunca cicatrizou totalmente.

Agora, em 2026, o baile recomeça — só que com menos cadeiras e mais dançarinos. O cenário é apertado: três espaços de poder (duas vagas no Senado e uma no governo) e quatro nomes tentando garantir assento: Rui Costa, Jacques Wagner, Ângelo Coronel e Geraldo Júnior. Acredita-se que a única cadeira realmente assegurada é a do governador Jerônimo Rodrigues, isto é se não houver nenhum golpe. Jeronimo pela liturgia petista é o candidato natural à reeleição. As outras duas — as do Senado — estão no centro do empurra-empurra.

Rui, Wagner e Coronel se recusam a abandonar a pista. Nenhum quer ser o que “ficou sem cadeira” quando a música parar agora em dezembro. Nos bastidores, comenta-se que Rui Costa sabendo que Otto não abre mão da vaga do PSD, estaria trabalhando discretamente para minar a reeleição de Wagner, tentando montar uma chapa com ele próprio e Ângelo Coronel. Já outros setores do PT defendem uma formação puro-sangue, excluindo o PSD e seus aliados — um movimento que pode parecer audacioso, mas carrega risco de ruptura e suicídio político.

Se o PSD for deixado de fora, é improvável que aceite o papel de espectador. O ressentimento pode gerar rachaduras sérias na base governista. E, por outro lado, se Rui ou Wagner forem sacrificados, as mágoas entre os dois pesos-pesados prometem ecoar dentro e fora do partido.

Assim, o PT baiano dança num salão apertado, onde o compasso da ambição é mais rápido que o ritmo da prudência. E como em toda rodada desse jogo, a pergunta que paira no ar é: quem ficará de pé quando a música parar?

De um jeito ou de outro, a lição é a mesma: no jogo das cadeiras do poder, nunca há assentos suficientes para tantos egos e projetos pessoais. E enquanto a melodia política continuar tocando, o risco é que, na ânsia por não ficar de fora, o partido acabe derrubando a própria harmonia da dança.