Política e Resenha

ARTIGO – O Maior São João da Bahia e o Menor Investimento do Estado

 

(Padre Carlos)

Enquanto Paraíba e Pernambuco transformam o São João em vitrine internacional com investimentos robustos e uma política cultural consistente, a Bahia, infelizmente, segue na contramão dessa rota de valorização. É contraditório afirmar que Vitória da Conquista realiza “o maior São João da Bahia” quando o apoio do Governo do Estado não acompanha a grandiosidade do evento. Como se pode realizar uma festa desse porte com apenas R$ 500 mil? Não há milagre cultural que transforme centavos em espetáculo.

Os números falam por si. Em Vitória da Conquista, mais de 763 mil pessoas passaram pelos portais de abordagem com reconhecimento facial da SSP. Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus ultrapassaram os 600 mil visitantes. Esses dados não são apenas estatísticas — são provas irrefutáveis da potência cultural e turística dessas festas. Em qualquer lugar do Brasil, isso seria suficiente para garantir investimentos milionários.

Pernambuco e Paraíba entendem a equação: cultura gera turismo, que gera emprego, que gera desenvolvimento. A Bahia parece ainda não ter entendido isso. Não estamos pedindo luxo, mas proporcionalidade. Um investimento que respeite o tamanho do público, a projeção dos artistas e o esforço das prefeituras, especialmente de Vitória da Conquista, que segura praticamente sozinha a estrutura do maior São João do estado.

O governador precisa rever sua política cultural. Conquista exige atenção. E não se trata apenas de um apelo emocional: trata-se de justiça federativa. Trata-se de reconhecer o que os números não deixam esconder — que menos de um real por pessoa para um evento dessa magnitude beira o desrespeito. O Estado precisa entender que investir em São João é investir na Bahia que dá certo.