(Padre Carlos)
Na engrenagem da política, muitas vezes, o que deveria ser um gesto natural de representação popular acaba se transformando em munição para narrativas enviesadas. Foi o que aconteceu com os vereadores Diogo Azevedo (União) e Ivan Cordeiro (PL), de Vitória da Conquista. Ao cumprirem o dever de seus mandatos — buscar junto ao Governo do Estado soluções e respostas para as demandas da cidade — acabaram sendo colocados sob suspeita ideológica, como se suas agendas institucionais representassem algum tipo de adesão ou alinhamento político.
Esse tipo de leitura é perigosa e injusta. A atividade parlamentar exige exatamente isso: diálogo, cobrança e articulação. Vereadores não são eleitos para fazer teatro de resistência, mas para representar as necessidades de suas comunidades diante das instâncias de poder. Ao visitar o governador Jerônimo Rodrigues, os parlamentares não estavam vendendo apoio, tampouco costurando alianças espúrias. Foram cobrar o que é de direito do povo conquistense — investimentos, obras, saúde, segurança, infraestrutura.
É preciso lembrar o óbvio: o governador não governa apenas para seus aliados, mas para toda a Bahia. Quando um vereador de oposição bate à porta do Palácio de Ondina, ele não vai pedir favores pessoais, mas reivindicar serviços e políticas públicas que pertencem ao povo. Essa é a essência da democracia representativa. Reduzir essas agendas a meros “gestos de aproximação política” é enfraquecer o mandato e, pior, minar a confiança das bases populares.
Notícias que transformam cobranças institucionais em supostos alinhamentos partidários tentam criar um fato político artificial, distorcendo a realidade e, muitas vezes, prejudicando a carreira de quem, com coragem, decide atravessar trincheiras ideológicas em nome da população. Diogo e Ivan, cada um dentro do seu campo, mostraram que maturidade política é não se deixar engessar pelo sectarismo.
Vitória da Conquista precisa de pontes, não de muros. A população não quer saber quem sorriu ou não ao lado do governador; quer hospitais funcionando, escolas de qualidade, estradas recuperadas, água na torneira e oportunidades de emprego. Vereadores que se dedicam a cobrar isso estão, sim, cumprindo sua missão. O resto é ruído — e ruído que, infelizmente, atrapalha mais do que ajuda.
O papel da imprensa, dos analistas e até mesmo da militância deveria ser outro: fiscalizar resultados, não interpretações forçadas. Porque, no fim, o que realmente importa é se a voz do povo foi ouvida. E, neste caso, foi.





