(Padre Carlos)
A política tem sua própria lógica, e, acima de tudo, seu tempo. Esse foi o fio condutor da fala do pré-candidato a deputado estadual, José Henrique Silva Tigre, o popular Quinho, liderança respeitada no sudoeste da Bahia. Em entrevista recente, ao ser provocado sobre o ex-prefeito de Salvador, Quinho foi direto: “na política existe o timing, e talvez o timing do ex-prefeito tenha passado em 2022”.
A afirmação soa como uma alfinetada, mas, ao mesmo tempo, é carregada de realismo. O ex-prefeito, à época, teve diante de si a grande chance de alcançar o governo da Bahia. Tinha apoios, tinha capital político, tinha espaço no cenário. Porém, por erros de cálculo, por excesso de confiança ou até por um contexto adverso, deixou a oportunidade escapar. Na política, como na vida, momentos desperdiçados não retornam com a mesma força.
Quinho ainda foi além: lembrou das perdas sucessivas do ex-prefeito ao longo desses anos. Prefeitos, prefeitas, vereadores e lideranças que, pouco a pouco, foram se afastando. A política é um terreno movediço — quem não consegue manter sua base unida, tende a perder fôlego. O abandono de aliados não é detalhe, é sintoma de enfraquecimento estrutural.
Enquanto isso, o pré-candidato do sudoeste baiano avalia o momento atual como um tempo de colheita. De fato, 2026 já se anuncia no horizonte, mas o jogo começa a se definir nos próximos doze meses. Quem tiver força para mobilizar bases regionais, dialogar com prefeitos e lideranças e consolidar alianças, sai na frente. É aí que Quinho aposta: o agora é decisivo, o amanhã pode ser tarde demais.
O recado, portanto, é duplo. Para o ex-prefeito, que insiste em manter-se como alternativa: o barco da oportunidade já zarpou. Para os baianos, sobretudo do sudoeste, a mensagem é que novas lideranças estão emergindo, com coragem de dizer em público o que muitos comentam nos bastidores.
O tempo, como ensinou o poeta, não volta. Na política, menos ainda. Quem perde o “timing” corre o risco de ver sua trajetória transformada em lembrança, enquanto outros assumem o protagonismo.





