
Mais um acidente na Avenida Presidente Vargas, em Vitória da Conquista. A notícia chega como rotina, como se a dor e o risco de perder vidas tivessem virado parte do cenário urbano. O trecho em obras, sem iluminação e sem sinalização adequada, é hoje um corredor de incertezas. E, a cada noite, mais um morador paga com sangue o preço da negligência.
Mas o que mais revolta não é apenas a obra inconclusa. É o silêncio ensurdecedor daqueles que deveriam estar fiscalizando. Onde estão os deputados que adoram aparecer em selfies ao lado do governador, sorrindo para as câmeras em inaugurações e palanques? Onde estão as vozes que, em vez de ecoar no plenário, preferem calar-se diante de uma tragédia anunciada?
Quantos anos tem essa obra? Quanto já se gastou em promessas, placas e discursos? E, sobretudo, quanto custou — em vidas, em dor e em medo — a omissão dos que deveriam fiscalizar o andamento, a segurança e a transparência desse empreendimento público?
O Samu socorre, os jornalistas noticiam, as famílias choram. E os políticos? Esses seguem em silêncio, talvez já preparando o próximo post para as redes sociais, em que aparecerão ao lado do governador, como se fossem protagonistas de um progresso que nunca chega.
É preciso dizer basta. Não se trata apenas de uma obra parada: trata-se da irresponsabilidade com a vida humana. Cada acidente na Presidente Vargas é um lembrete cruel de que a omissão também mata.




