Política e Resenha

ARTIGO – O silêncio eloquente do Brasil diante de Netanyahu

 

 

(Padre Carlos)

O gesto do Brasil ao se retirar do plenário da Assembleia Geral da ONU, durante o discurso de Benjamin Netanyahu, não foi apenas simbólico: foi um ato político de grande envergadura. Em um cenário onde cada movimento é analisado como recado diplomático, a ausência da delegação brasileira marcou presença mais do que qualquer palavra poderia fazê-lo. Trata-se de uma posição clara de defesa da dignidade e da soberania do povo palestino.

As imagens são contundentes: vaias ecoando, delegações se levantando, chefes de missão virando as costas para o primeiro-ministro israelense. Netanyahu, no púlpito, foi confrontado não com armas, mas com o silêncio ensurdecedor de um plenário vazio. Essa reação global não surge do acaso; ela é fruto do desgaste da imagem de Israel frente à opinião pública mundial, consequência direta da devastação em Gaza, dos milhares de civis mortos e da fome imposta à população palestina. O mundo já não enxerga em suas ações apenas uma defesa legítima, mas a escalada para crimes de guerra, para o que muitos não hesitam mais em nomear de genocídio.

O Brasil, ao se alinhar com diversas outras nações, reafirmou seu compromisso com o direito internacional e com a tese dos dois Estados, reconhecendo que só assim haverá uma possibilidade de paz duradoura no Oriente Médio. O boicote brasileiro foi mais do que uma recusa a ouvir: foi uma afirmação de que não há espaço para discursos que neguem o direito palestino de existir como nação soberana.

Nesse momento, enquanto França, Reino Unido e outras potências sinalizam reconhecimento ao Estado Palestino, a postura brasileira se inscreve na história como coerência entre discurso e prática. O país não se omitiu, não relativizou a tragédia, não buscou neutralidade cúmplice. Ao contrário, mostrou que estar ao lado dos mais vulneráveis, mesmo em meio às pressões internacionais, é uma marca de soberania e de seriedade diplomática.

Netanyahu saiu vaiado e isolado. O Brasil saiu engrandecido, reafirmando que dignidade e soberania não se negociam. É essa firmeza que faz da diplomacia brasileira uma referência quando o mundo busca, ainda que em meio ao caos, sinais de humanidade.