
Padre Carlos
A política baiana sempre foi um grande tabuleiro de xadrez. Nada acontece por acaso. Cada movimento é calculado, cada silêncio guarda um significado e cada reunião entre caciques revela muito mais do que as notas oficiais costumam admitir.
Nos bastidores do poder, a recente reunião entre Jaques Wagner, Otto Alencar e o ministro da Casa Civil Rui Costa trouxe à tona uma discussão estratégica: quem ocupará a vaga de vice na chapa do governador Jerônimo Rodrigues?
A escolha que emergiu do encontro foi o nome da presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos. Segundo informações de bastidores, a indicação teria sido praticamente consensual entre os líderes da base governista.
Mas, como sempre acontece na política, o caminho entre a indicação e a decisão final é cheio de curvas.
Ivana Bastos não é apenas mais um nome na política baiana. Sua eleição para presidir a Assembleia consolidou uma trajetória de articulação e habilidade política que poucos conseguem alcançar. No jogo institucional, comandar o Legislativo estadual significa ocupar uma posição de enorme influência — muitas vezes silenciosa, mas sempre decisiva.
Por isso, a aparente resistência da própria Ivana em deixar a presidência da Assembleia não deve ser interpretada como simples recusa. Permanecer no comando do Legislativo pode significar algo ainda mais estratégico do que a vice-governadoria.
Afinal, em política, o poder nem sempre está nos cargos mais visíveis.
A vice-governadoria, embora importante no equilíbrio das alianças eleitorais, nem sempre garante protagonismo real. Já a presidência da Assembleia permite controlar pautas, dialogar com prefeitos, construir pontes com deputados e manter influência constante sobre o governo.
É ali, no plenário e nos corredores da Assembleia, que muitas decisões que moldam o futuro do estado são silenciosamente costuradas.
A possível indicação de Ivana Bastos revela também outro aspecto importante do cenário político da Bahia: o esforço da base governista para manter o equilíbrio entre seus principais partidos e lideranças.
Quando figuras como Wagner, Rui e Otto se sentam à mesa, o que está em jogo não é apenas um nome para vice. Trata-se de um delicado arranjo de forças que precisa manter coesa uma coalizão política ampla, diversa e, por vezes, cheia de interesses cruzados.
A política da Bahia, especialmente olhando para o horizonte das eleições de 2026, já começa a se movimentar nos bastidores. Cada escolha de hoje pode ecoar nas disputas futuras.
Por isso, a conversa sobre Ivana Bastos é mais do que uma simples definição de chapa. Ela revela os bastidores do poder, os cálculos das lideranças e a eterna arte da política: equilibrar ambições, preservar alianças e garantir governabilidade.
No final das contas, a política não é apenas feita de cargos.
Ela é feita de posições estratégicas.
E, no grande tabuleiro da Bahia, Ivana Bastos parece saber exatamente onde quer colocar sua peça. ♟️




