Política e Resenha

ARTIGO – Otto confirma tentativa de Coronel de levar PSD para o lado de ACM Neto

 

 

(Padre Carlos)

Na política, há diferenças essenciais entre quem ocupa cargos circunstancialmente e quem constrói partidos, projetos e alianças com lastro histórico. A recente declaração do senador Otto Alencar, ao revelar o conteúdo de uma ligação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, recoloca esse princípio no centro do debate político baiano.

Segundo Otto, Kassab o informou sobre uma tentativa interna de deslocar o PSD da base de apoio ao governador da Bahia para a oposição. Não se trata de um movimento trivial. Em ano pré-eleitoral, qualquer sinal de infidelidade partidária, ruptura de alianças ou ambiguidade política produz ruído, instabilidade e desgaste — tanto interno quanto externo. Kassab, ao que tudo indica, percebeu isso a tempo.

Mais do que comunicar o fato, o presidente nacional do PSD foi enfático ao reafirmar algo que muitos parecem esquecer: Otto Alencar não é apenas um senador influente, é fundador do PSD na Bahia e o principal fiador político da legenda no estado. Ao dizer que “nunca vai deixar que Otto deixe de conduzir o partido na Bahia”, Kassab não fez um gesto de cortesia pessoal; fez uma afirmação de hierarquia política, de reconhecimento institucional e de respeito à história partidária.

A política brasileira, marcada por personalismos e movimentos oportunistas, costuma subestimar o valor da lealdade e da construção de longo prazo. Otto Alencar representa justamente o contrário: estabilidade, previsibilidade e coerência. Sua condução do PSD baiano sempre esteve associada ao diálogo com o governo estadual, à governabilidade e à defesa de um projeto político que transcende interesses individuais.

O episódio envolvendo o senador Ângelo Coronel, mencionado por Otto, revela um dado ainda mais relevante: Kassab optou pelo caminho do diálogo interno, orientando que as divergências fossem tratadas politicamente, sem exposição pública desnecessária. Em tempos de redes sociais inflamadas, crises fabricadas e disputas por protagonismo, essa postura é quase um ato de resistência institucional.

Não há partido forte sem comando claro. Não há base sólida sem liderança reconhecida. E não há projeto político viável quando decisões estratégicas são substituídas por movimentos erráticos. O PSD na Bahia só se tornou relevante porque teve — e tem — uma liderança que sabe articular, ouvir, negociar e decidir.

Ao reafirmar Otto Alencar como condutor do partido no estado, Gilberto Kassab enviou um recado direto à classe política baiana: o PSD não é um espaço de aventuras pessoais, mas uma construção coletiva com direção definida. Quem deseja mudar rumos precisa, antes de tudo, respeitar a história, o diálogo interno e a autoridade política de quem fundou e consolidou o partido.

Em um cenário político marcado por incertezas, disputas internas e rearranjos estratégicos para as eleições de 2026, a fala de Otto Alencar funciona como âncora de estabilidade. Mais do que um desabafo, é uma afirmação de liderança, de lealdade partidária e de maturidade política — atributos cada vez mais raros, mas absolutamente necessários para quem pretende governar, influenciar e construir o futuro da Bahia.