Política e Resenha

ARTIGO – OU NÓS SE UNE… OU NÓS SE FREUD

 

 

 

 

A Bahia tem sido um exemplo para a esquerda no país de como construir uma aliança forte de centro-esquerda, abarcando inclusive franjas da direita liberal, unindo essas forças diversas no plano político-ideológico em torno de um projeto de governo democrático e popular, assentado nos valores libertários da democracia participativa, da redução das desigualdades sociais e regionais e do combate aos preconceitos e à miséria, pela inclusão social, econômica e cultural, garantindo o exercício da cidadania plena a todo o povo baiano.

O PT, maior partido de esquerda do Ocidente, dirige essa experiência há 19 anos, mas sempre atento e preocupado com o crescimento das forças aliadas, observando o princípio de que “Eu fico mais forte quando os meus aliados também se fortalecem”.
Portanto, o protagonismo político está na capacidade de manter a linha mestra da estratégia de transformar a realidade política, promover o desenvolvimento econômico, social, tecnológico e cultural na perspectiva igualitária da justiça social e da afirmação democrática.

Construir hegemonia sem cair na tentação da homogeneidade, ou seja, ninguém caminha e nem vence sozinho.
O PT diminuiu sua força numérica e espaço político, depois do grande momento de auge em 2010/2012, quando elegemos o nosso primeiro senador e tivemos a maior bancada estadual e federal em 2010, e em seguida, o maior número de prefeituras e de vereadores em 2012, sendo o maior partido da coalizão na base do governo do estado, mas todos os aliados também cresceram juntos. E o mais importante, a coalizão ampliou a sua diversidade política.

A fórmula é simples: fortalecer o comando e a liderança do governador e garantir a ampliação das bancadas parlamentares federal e estadual. Isso aumenta a força e a capilaridade política do projeto e, por consequência, crescem nos municípios o partido líder da aliança e os seus partidos aliados.

Além disso, o reconhecimento de todos que a sintonia fina com o projeto nacional, liderado por Lula, é condição essencial para o fortalecimento do projeto no estado.
O momento é delicado e não há espaço para veleidades. O trumpismo, com poder de intimidação pelo alto potencial militar e sua postura belicista, ameaça todo o continente e, com a reedição da Doutrina Monroe, coloca todos na sua alça de mira.

A Bahia e o Nordeste decidirão o destino do Brasil mais uma vez. Não podemos perder o foco, pois a direita e a extrema direita se articulam para a tática de dois turnos, com candidato do bolsonarismo, já lançado, e o candidato do centrão, que pode vir de MG, PR ou RS, podendo inclusive ser do PSD, que nacionalmente é direitista. Querem criar um ambiente atraente para a presença dos EUA nas eleições do país, onde disputa o projeto que é o “B” dos BRICS, o centro do acordo Mercosul-União Europeia, e é o precursor do G-20; ou seja, uma mola-mestra do multilateralismo, tudo que contraria o projeto de mundo unipolar do imperialismo ianque.

Então, o nosso foco na Bahia é fortalecer a estratégia de reeleição de Jerônimo, governador, e equiparar sua votação à de Lula no estado, que ronda os 65% a 70% dos votos, para vencer no 1° turno e ser a retaguarda estratégica da vitória de Lula no país no 1° ou 2° turno nacional, e afugentar a sombra do lobo imperialista, derrotando os seus seguidoress aqui no Brasil.

O outro foco é ampliar a bancada petista para voltar a hegemonizar a nossa coalizão na Bahia e também ampliar a representação parlamentar da base aliada para crescer a nossa influência nacional e disputarmos os espaços de comando no Parlamento brasileiro.

Óbvio que devemos ter atenção ao Senado, e que as duas candidaturas que vao disputar as vagas sejam totalmente alinhadas ao projeto, como tem sido com Wagner e Otto e foi com Lídice e Pinheiro, só não pode ser um elemento de fratura ou desavença na aliança, nem pode ter principalidade no processo político de construção da chapa majoritária e muito menos tirar o foco do necessário fortalecimento da candidatura à reeleição de Jerônimo, governador, pois nas reeleições ao governo de Jaques Wagner em 2010 e de Rui Costa em 2018, onde nós já entramos no ano da eleição liderando todas as pesquisas com real perspectiva de vitória no 1° turno, situação que ainda temos que alcançar em 2026.

Portanto, o PT deve estabelecer na sua estratégia, onde governa, como aqui na Bahia; a prioridade na manutenção da aliança política de sustentação do governo, para conquistar a reeleição do governador colado na votação do Lula no estado e na ampliação das suas bancadas federal e estadual, construindo maiorias parlamentares também com o crescimento das forças aliadas, e por fim, eleger as duas vagas do Senado, garantindo o nosso espaço e em total sintonia com as forças aliadas e alinhado ao projeto liderado por Lula no país.

O Brasil precisa da Bahia e do Nordeste e da experiência do PT em construir alianças vitoriosas na região para se espelhar no resto do país.

Jonas Paulo
ex-Presidente do PT-BA.