
(Padre Carlos)
A engrenagem da Justiça não para. Agora, o pastor Silas Malafaia entra no radar da Polícia Federal no mesmo inquérito que já envolve Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. O caso, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, avança para investigar supostas ações contra autoridades e tentativas de sanções internacionais contra o Brasil.
Entre os crimes apurados estão coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Malafaia, conhecido por seu discurso inflamado e proximidade com o bolsonarismo, nega ter recebido notificação oficial, mas não perdeu tempo em atacar Moraes, repetindo o roteiro que já virou marca registrada de sua atuação política.
O fato é que, quando a Justiça decide ampliar o cerco, não há púlpito, microfone ou culto televisionado que sirva de escudo. Se antes as atenções estavam voltadas apenas ao ex-presidente e sua rede de aliados mais diretos, agora a investigação expande os tentáculos e sinaliza que ninguém será intocável.
É cedo para decretar culpabilidade, mas é inegável que o fio da meada já não é mais apenas político — ele se entrelaça na esfera criminal. Se confirmadas as acusações, não será exagero dizer que a Papuda pode, sim, estar no horizonte de mais de um nome até aqui sustentado pela retórica da fé e da política.
O Estado Democrático de Direito é o pilar maior, e qualquer tentativa de implodi-lo pela força encontrará resistência institucional. A história recente mostra que a Justiça pode andar devagar, mas quando se movimenta, a marcha é firme e inexorável.




