(Padre Carlos)
Há dores que não se veem. Silenciosas, escondidas entre sorrisos ensaiados e palavras automáticas, elas vão corroendo o íntimo. Deixamos que a nossa alma adoeça e, muitas vezes, demoramos demais a procurar a cura.
Vivemos correndo, cumprindo compromissos, apagando incêndios da vida cotidiana, mas esquecemos de olhar para dentro. O coração pede socorro, a mente pede descanso, a fé pede alimento. No entanto, quantas vezes adiamos esse encontro conosco mesmos?
É como alguém que sente uma febre e insiste em ignorar. A doença se instala, se alastra, até o momento em que já não dá mais para disfarçar. Assim também é com a alma: as pequenas mágoas guardadas, as culpas silenciadas, os medos nunca confessados, todos esses sentimentos vão formando uma ferida.
Mas, ao contrário do que pensamos, não é vergonha precisar de ajuda. Não é sinal de fraqueza reconhecer que a alma precisa de descanso, de afeto, de paz. A verdadeira fraqueza é fingir que está tudo bem, enquanto por dentro se carrega um deserto.
A cura da alma começa quando paramos para escutar o que ela nos diz. Quando aceitamos o abraço de quem nos ama. Quando voltamos a dobrar os joelhos diante de Deus. Quando nos permitimos sentir outra vez a beleza do mundo.
Não adie o seu reencontro com a vida. Não permita que as feridas da alma se transformem em correntes. É tempo de buscar a cura. É tempo de escolher a paz.





