
(Padre Carlos)
O jornalismo tem uma missão sagrada: informar com clareza e responsabilidade. Mas quando deixa de ser o espelho da realidade e se converte em arma política, nasce a injustiça.
O caso do vereador Luciano Gomes é um exemplo didático desse perigo. Ele articulou audiência com o secretário de Governo Adolpho Loyola, acompanhado pelos vereadores Ricardo Gordo e Ivan Cordeiro, além do deputado Fabrício. Um encontro legítimo, de interesse público: discutir pautas para Vitória da Conquista e convidar o governador a transferir simbolicamente a sede do governo para o município em seu aniversário.
O fato, porém, foi sequestrado pela manipulação. Blogs e mídias financiadas com recursos da própria Câmara Municipal simplesmente apagaram Luciano Gomes dos registros. Criou-se, então, não uma notícia, mas um fato político fabricado: dar protagonismo ao encontro do Vereador Ivan Cordeiro, adversário declarado do governo do estado, deixando nas entrelinhas algumas duvidas na cabeça do eleitor do vereador.
Essa prática não é apenas injusta com Luciano Gomes. É traição ao cidadão, que tem o direito à informação completa e verdadeira. Quando a imprensa escolhe omitir, transforma-se em jogadora no tabuleiro da política. E, nesse jogo sujo, quem perde é a sociedade.
A divergência política é saudável. O que não é aceitável é usar a notícia como arma, inflando uns e apagando outros conforme a conveniência. A imprensa, sobretudo a que vive de dinheiro público, deve lealdade à democracia, e não a projetos pessoais.
O episódio é um alerta: se a mídia institucional continuar a fabricar narrativas, não estará enganando apenas um vereador, mas traindo a confiança da comunidade inteira.
No fim, a pergunta é direta: queremos uma imprensa que informe ou que manipule?
Quem acredita na democracia sabe a resposta.




