
(Padre Carlos)
A democracia, quando verdadeira, não se limita ao rito eleitoral nem ao jogo de bastidores entre gabinetes. Ela pulsa no debate público, vive da escuta ativa e cresce quando o cidadão deixa de ser apenas espectador para tornar-se protagonista do processo legislativo. É nesse espírito que a Câmara Municipal de Vitória da Conquista dá um passo ousado, maduro e necessário: abrir à consulta pública o projeto da Nova Lei Orgânica do Município.
Essa iniciativa não é apenas um gesto político. É um marco civilizatório. Ao criar um canal digital para sugestões, críticas e contribuições da população, a Câmara transforma o cidadão comum — muitas vezes invisibilizado nas estruturas de poder — em agente construtor da principal norma legal do município. Trata-se de um convite à cidadania ativa, à inteligência coletiva e ao exercício prático do princípio republicano da soberania popular.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, demonstra sensibilidade política ao reconhecer que a legitimidade da nova Lei Orgânica não será medida apenas pelo número de artigos bem redigidos, mas pelo grau de participação popular em sua construção. Transparência, inclusão e escuta — palavras que tantas vezes soam como promessas vagas — ganham concretude na criação do link de consulta pública. É a tecnologia a serviço da democracia.
Mais ainda: a articulação liderada por Luis Carlos Dudé, presidente da Comissão Especial, em integrar audiências públicas presenciais ao processo mostra que a participação não será confinada ao digital. Entidades civis, movimentos sociais, associações de bairros, sindicatos, empresários e estudantes: todos estão sendo chamados a escrever, com suas vozes e vivências, os novos fundamentos legais da cidade. Não se trata apenas de ouvir — trata-se de considerar o que se ouve.
Nesse contexto, o projeto da Nova Lei Orgânica se torna mais do que uma revisão legal: é um exercício pedagógico de pertencimento político. A população é convidada a refletir sobre o tipo de cidade que deseja construir: mais justa, mais transparente, mais humana.
Contudo, é necessário que essa participação não se limite à boa intenção do Legislativo. Cabe agora à sociedade conquistense acolher esse gesto e responder à altura, com engajamento, crítica, ideias e propostas. A democracia precisa ser alimentada por dentro, e o momento é agora.
Que Vitória da Conquista seja exemplo. Que a Nova Lei Orgânica seja mais do que um documento jurídico: que ela seja uma carta viva de compromissos assumidos entre poder e povo.




