Política e Resenha

ARTIGO – Selic a 15%: Quando a omissão é cumplicidade

 

 

(Padre Carlos)

Quem nomeou o presidente do Banco Central? Foi Jair Bolsonaro? Não, foi o atual governo. Essa escolha estratégica – ou trágica – tem hoje um preço amargo: a taxa Selic atingindo 15% ao ano, um índice indecente, injustificável e destrutivo para a economia nacional.

A esquerda se cala? Pior: balbucia críticas tímidas, enquanto a política monetária imposta por Gabriel Galípolo segue atropelando a indústria, os pequenos empreendedores e, sobretudo, os pobres. Se em outros tempos bradava-se contra o entreguismo, contra o desmonte do Estado, onde estão agora essas mesmas vozes? A omissão, nesse caso, é sim uma forma de participação. A política econômica é conduzida como se ainda estivéssemos sob a lógica de Roberto Campos.

A desculpa da “autonomia do Banco Central” é uma cortina de fumaça. Autonomia não é impunidade, nem autorização para governar sem prestar contas à sociedade. Quem foi eleito para tomar decisões é o presidente da República – e permitir que um presidente do BC nomeado por um governo que se diz de esquerda conduza os rumos da economia ao bel prazer do mercado, é abrir mão de suas políticas e promessas de palanque e da soberania democrática.

Selic a 15% é uma sentença de morte para o crescimento econômico. É um freio nos investimentos, um incentivo à especulação financeira, um golpe no mercado de trabalho. Onde estão os responsáveis por nomear e manter figuras-chave como Gabriel Galípolo? O Brasil precisa saber.

Se Bolsonaro, com sua gestão errática, ao escolher Roberto Campos foi acusado de crime de lesa-pátria, o que dizer agora? A manutenção de juros abusivos em um país com tamanhas desigualdades sociais é, sim, uma forma de violência institucional.

O povo não pode continuar pagando a conta de uma política monetária que privilegia rentistas. Quebraram a narrativa da “terra arrasada” e, agora, estão arrasando o próprio campo da esperança. A crítica deve ser clara: ou o governo assume o leme da economia, ou será tragado pela mesma elite financeira que historicamente sabota o desenvolvimento nacional.