
(Padre Carlos)
A presença da prefeita Sheila Lemos no evento comemorativo dos 75 anos do UNICEF no Brasil, realizado no Palácio do Itamaraty, não foi apenas um gesto protocolar de uma gestora pública. Foi, antes de tudo, um ato político de profundo simbolismo e compromisso com a proteção integral das crianças e adolescentes — justamente num tempo em que a infância brasileira continua a ser ferida por múltiplas formas de negligência, violência e desigualdade.
Ao representar Vitória da Conquista nesse momento histórico, Sheila leva consigo não apenas o nome da cidade, mas também uma política pública concreta: o Complexo de Escuta Protegida. Esse equipamento, referência no atendimento humanizado e interinstitucional de vítimas de violência, é uma das expressões mais eficazes de como se pode traduzir a legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente em ações reais, estruturadas e transformadoras.
Não se trata de marketing político. Trata-se de um reposicionamento ético da política municipal, ao entender que as parcerias — como a firmada com o UNICEF — são pontes que salvam vidas. Sheila compreendeu que a cidade que deseja crescer não pode permitir que sua infância seja deixada para trás. A sua fala no Itamaraty, destacando os avanços e reforçando o compromisso com a causa infantojuvenil, demonstra maturidade institucional e clareza de prioridades.
É preciso destacar que o UNICEF chegou ao Brasil em 1950, impulsionado pela emergência brutal da mortalidade infantil. De lá para cá, muito se avançou, mas os desafios persistem, sobretudo nas periferias urbanas e nos rincões esquecidos pelas políticas públicas. Vitória da Conquista, com suas contradições sociais e geográficas, tem respondido com iniciativas que buscam assegurar escuta, cuidado, proteção e oportunidade. Isso tem nome, tem rosto, tem ação.
Nesse cenário, Sheila Lemos honra a memória dos que iniciaram essa luta décadas atrás e projeta um futuro mais digno para as novas gerações. Sua presença na solenidade do UNICEF é um recado claro: Vitória da Conquista quer estar entre os municípios que fazem da infância uma prioridade inegociável.
Num país que tantas vezes vira as costas para suas crianças, celebrar o UNICEF é celebrar resistência e esperança. E mais do que isso: é firmar o compromisso diário com políticas públicas capazes de mudar destinos. E, nesse compromisso, Sheila Lemos tem mostrado que é possível conjugar sensibilidade, gestão e firmeza de propósito. Que venham mais 75 anos — e que nossas crianças, finalmente, tenham o país que merecem.




