Política e Resenha

ARTIGO – “Tarcísio 2026: aposta segura ou voo cego?”

 

(Padre Carlos)

A corrida presidencial de 2026 começa a tomar forma, e um movimento recente dentro do União Brasil colocou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no epicentro da disputa. O vice-presidente da sigla, ACM Neto, admitiu que o partido pode abrir mão da pré-candidatura de Ronaldo Caiado em favor de Tarcísio, considerado por ele “um dos nomes mais consistentes” para enfrentar Lula. Mas a pergunta que não quer calar é: vale a pena para Tarcísio trocar uma reeleição praticamente garantida por uma candidatura nacional incerta?

A comparação é inevitável: “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. O governo paulista é um trunfo de peso — não apenas pela visibilidade, mas pela força orçamentária, administrativa e política. Largar isso por uma aposta na presidência é, no mínimo, um gesto de ousadia. E, na política, ousadia sem lastro pode custar caro.

A verdade é que Tarcísio ainda é um enigma. Transita com desenvoltura entre o bolsonarismo e a direita liberal, mas não é totalmente confiável nem para um lado nem para o outro. Para a direita moderada, representa uma alternativa civilizada ao radicalismo de Bolsonaro. Para os bolsonaristas, é um herdeiro hesitante. Esse duplo jogo pode ser trunfo — ou armadilha.

Caiado, por sua vez, representa uma candidatura de identidade mais clara, mas com menor potencial de agregação nacional. A troca dele por Tarcísio indica que a oposição está disposta a apostar tudo em um nome que una carisma, gestão e viabilidade eleitoral. Mas a pergunta continua: e se Tarcísio não quiser? E se preferir garantir oito anos em São Paulo e esperar o momento ideal para disputar o Planalto?

Enquanto a direita tenta achar um “candidato de vitrine” que não assuste o centro e ainda dialogue com os eleitores fiéis de Bolsonaro, o tempo corre. E o tempo, neste jogo, vale mais que qualquer cálculo. Afinal, em política, o vento muda, as pesquisas oscilam e o que hoje parece certeza, amanhã vira ilusão.

No fim das contas, talvez o maior desafio não seja escolher entre Tarcísio e Caiado, mas entre o real e o possível. Entre o que se tem e o que se deseja. Entre um governo firme e uma aventura presidencial. E, como nos lembra a sabedoria popular, “quem tudo quer, tudo perde.”