Política e Resenha

ARTIGO – Tragédia na BR-116 expõe a crônica falência da segurança nas rodovias brasileiras (Padre Carlos)

 

 

Mais uma vez, a BR-116, no trecho de Vitória da Conquista, registra uma página dolorosa no livro de tragédias que teima em se repetir. Na noite de terça-feira (11), nas proximidades do acesso ao distrito de Veredinha, um grave acidente tirou a vida de Antônio, morador do povoado de Abelhas, zona rural de Conquista. Ele morreu no local, antes mesmo que qualquer socorro pudesse devolver-lhe a chance de sobreviver.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) foi rápido, mas, diante da fatalidade, nada havia a fazer. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) precisou intervir para controlar o tráfego e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) recolheu o corpo para o Instituto Médico Legal (IML). Mais um número na estatística, mais um rosto apagado pela imprudência, má conservação das vias ou pela combinação explosiva de fatores que assolam nossas estradas.

A BR-116, que corta o Brasil de ponta a ponta, é uma das mais movimentadas e perigosas rodovias do país. No trecho entre Planalto e Vitória da Conquista, especialmente, acumula um histórico de acidentes fatais, colapsando famílias e espalhando luto. E não adianta fingir que é “fatalidade”: o problema é estrutural. Falta sinalização adequada, iluminação em pontos críticos, fiscalização mais rigorosa e, sobretudo, campanhas de conscientização que não se limitem a datas festivas.

Enquanto isso, motoristas seguem arriscando ultrapassagens em locais proibidos, dirigindo sob fadiga ou até alcoolizados, embalados pela falsa sensação de domínio da máquina. As autoridades, por sua vez, continuam administrando tragédias em vez de preveni-las. É como se o sangue derramado na pista fosse parte aceitável do preço do progresso.

A morte de Antônio, homem simples do campo, não é só uma estatística: é um grito por mudança. Se nada for feito, outros Antonios tombarão no asfalto quente da BR-116, e o noticiário seguirá repetindo as mesmas linhas. A diferença é que, para cada vítima, há uma família que não se recupera.

Rodovias são veias que ligam o Brasil, mas quando elas sangram, todo o país adoece. Vitória da Conquista e região precisam exigir mais do que condolências. Precisam cobrar ações, porque o luto, por aqui, já ultrapassou o limite da paciência.