(Padre Carlos)
A área do antigo Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da Conquista, ganha, enfim, contornos de esperança e ousadia. O recente encontro entre a prefeita Sheila Lemos e a secretária estadual Jusmari Oliveira acende um sinal positivo: quando governo municipal e estadual se sentam à mesma mesa para pensar o futuro da cidade, o povo é quem mais ganha.
O projeto chamado “Masterplan” não é apenas um exercício técnico de urbanismo. Ele simboliza uma encruzilhada histórica. Ali onde antes pousavam aeronaves, agora aterrissam ideias. Ideias de reconfiguração urbana, desenvolvimento sustentável, mobilidade inteligente e infraestrutura moderna. O novo bairro que se desenha pretende integrar espaços administrativos, centro de convenções, áreas residenciais e comerciais. Tudo isso cercado por corredores de ônibus, áreas verdes e um planejamento digno de uma cidade que quer deixar de ser grande para se tornar metropolitana.
É preciso reconhecer que, ao contrário do passado marcado por disputas políticas miúdas, desta vez há um esforço de convergência. A prefeita apresentou uma proposta em Brasília, o Governo do Estado apresentou outra, mas o que poderia virar um impasse virou cooperação. É esse espírito que Vitória da Conquista precisa cultivar: o da unidade pelo bem comum.
O projeto ainda está no papel, é verdade. Mas como dizia o arquiteto Oscar Niemeyer, “a arquitetura só tem sentido se for voltada para o povo”. Que o Masterplan não seja mais uma promessa jogada na pista de decolagem dos sonhos frustrados. Que ele seja o plano-mestre da justiça social, da inclusão urbana e do desenvolvimento econômico sustentável.
Transformar 1.400.000 m² de área ociosa num espaço pulsante de vida, trabalho, cultura e moradia exige mais do que cimento e asfalto. Exige visão, escuta popular, transparência e compromisso. E, sobretudo, exige que cada passo desse projeto seja compartilhado com a população, que precisa deixar de ser apenas espectadora das decisões e passar a ser protagonista.
Vitória da Conquista tem agora a chance de reescrever seu mapa urbano com traços de modernidade, sensibilidade ambiental e inteligência coletiva. Se feito com coragem e responsabilidade, esse Masterplan pode se tornar uma verdadeira obra-prima da cidade.





