
(Padre Carlos)
“Você tem vergonha do STF?” A pergunta que a Folha de São Paulo fez com sua pesquisa e tem circulado sua pesquisas nas redes sociais, carregada de intenção política e construída para atacar a legitimidade da mais alta corte do país. Mas a verdadeira pergunta deveria ser: vergonha de quê?
Vergonha eu tive, sim, do Supremo Tribunal Federal que um dia entregou Olga Benário Prestes à Alemanha nazista. Vergonha do STF que se calou diante da tortura, da censura e dos desaparecimentos forçados promovidos pela ditadura militar. Vergonha do STF que, cúmplice de um sistema manipulador, viu juízes de primeira instância assumirem o papel de salvadores da pátria e deixarem a Constituição em segundo plano, como no caso escandaloso do lavajatismo.
Mas este STF, que resiste ao avanço autoritário, que julga os responsáveis pelo ataque à democracia em 8 de janeiro, que impede que o bolsonarismo traga de volta o fascismo travestido de patriotismo — esse, não me causa vergonha. Me causa esperança.
É preciso desconfiar dessas pesquisas que aparecem sempre em momentos estratégicos, com perguntas capciosas e conclusões alarmantes. Elas não buscam medir a opinião pública, mas moldá-la. Não querem saber o que o povo pensa, mas querem dizer ao povo o que ele deve pensar. E isso é perigoso.
Os ministros do STF não são artistas em busca de likes, nem candidatos disputando votos. Eles não devem agradar plateias, mas defender a Constituição. É esse o pacto que garante a estabilidade de uma nação. É essa a âncora da nossa democracia.
Não há democracia sem Judiciário forte. Não há justiça sem independência. E não há liberdade quando juízes se dobram ao populismo.
Vergonha, portanto, não é do Supremo. Vergonha é de quem manipula a verdade, distorce a justiça e joga com o ódio popular para enfraquecer as instituições. A esses, sim, devemos temer — porque onde a toga se curva ao grito, o Estado de Direito se desfaz.




