Política e Resenha

ARTIGO – Vitória da Conquista e a Mensagem de Quinho: Entre o Passado que Inspira e o Futuro que Espera

 

 

(Padre Carlos)

A mensagem do ex-prefeito de Belo Campo, José Henrique Silva Tigre, o Quinho, por ocasião dos 185 anos de emancipação política de Vitória da Conquista, foi muito mais do que uma saudação institucional. Foi uma leitura afetiva e política de uma cidade que, ao longo do tempo, consolidou-se como referência do Sudoeste baiano, não apenas por sua economia diversificada, mas por sua alma acolhedora e espírito de vanguarda.

Quando Quinho fala de Conquista, há um evidente tom de pertencimento. Não é o discurso frio de um político em campanha; é o de quem carrega no sangue o DNA do sertão conquistense, com suas serras, cafés e ventos de altitude. Ele recorda um passado de grandes líderes, como J. Pedral, Dr. Guilherme Menezes e Erzen Gusmão, homens que sonharam uma cidade moderna, planejada, com infraestrutura e espírito de metrópole regional. São nomes que deixaram marcas concretas — no asfalto, nas escolas, nas políticas sociais — e também simbólicas, como o desejo de ver Conquista se tornar a capital do sudoeste da Bahia.

Mas a mensagem de Quinho vai além da homenagem. Ela traz consigo um sinal político, um anúncio: o lançamento de sua pré-candidatura a deputado estadual. E, nesse ponto, sua fala se torna também um convite ao debate sobre o futuro da cidade. Ao mencionar polos de saúde, educação, café e serviços, ele toca em temas centrais da economia local — áreas que fazem de Conquista uma cidade pulsante, mas que ainda exige investimentos estruturais, políticas de inovação e representatividade efetiva na Assembleia Legislativa.

É interessante notar que, ao evocar a história, Quinho não se prende ao saudosismo. Ele articula o passado e o futuro como um fio de continuidade. “O passado existe em nossas memórias, e o futuro depende de você”, diz ele. Essa frase, simples e direta, tem um peso simbólico importante: ela recoloca o povo conquistense como protagonista do seu destino. Num tempo de descrença e polarizações, ouvir um político falar com esse tom humanizado, que valoriza a memória e aposta na construção coletiva, é um alento.

Vitória da Conquista, aos 185 anos, continua sendo a encruzilhada do progresso e da esperança. Uma cidade que nasceu sertaneja, cresceu cosmopolita e sonha com o status de capital regional. O gesto de Quinho, ao parabenizar sua terra natal, é também o gesto de quem entende que política não é apenas disputa por poder — é ato de amor à terra e compromisso com o desenvolvimento humano.

E se o futuro realmente depende de nós, como ele afirma, que seja um futuro à altura da grandeza dessa cidade que, entre serras e sonhos, aprendeu a resistir, inovar e inspirar toda a Bahia.