
(José Maria Caires)
A imagem da promoção da companhia Azul, divulgando voos nacionais com até 25% de desconto e trechos a partir de R$ 179,90, escancara uma verdade incômoda para os moradores de Vitória da Conquista: pagamos a tarifa aérea mais cara do Brasil em proporção à distância e ao destino.
Enquanto passageiros de cidades como Pelotas, Bauru, Campinas e até Guarulhos conseguem embarcar por valores que variam entre R$ 179,90 a R$ 199,90, uma passagem entre Vitória da Conquista e Salvador, trajeto curto e regional, ultrapassa facilmente os R$ 800 e aparece como se fosse uma grande oferta.
Não há uma lógica técnica que justifique essa distorção. A distância entre Conquista e Salvador é menor do que a de muitos trechos promocionais apresentados na imagem. Ainda assim, as empresas aéreas adotam a estratégia de reduzir voos e concentrar a demanda, criando uma falsa escassez que alimenta o aumento dos preços.
A sociedade conquistense está sendo penalizada. Somos um polo regional, com forte presença universitária, econômica e de saúde, além de termos um aeroporto novo e moderno, capaz de receber voos maiores. A população depende do transporte aéreo, mas a atual política tarifária transforma a aviação num serviço de elite.
Por que Vitória da Conquista, com mais de 340 mil habitantes e responsável por movimentar toda a região sudoeste, é tratada com tanto descaso pelas companhias aéreas? É hora de unir forças — Câmara de Vereadores, Prefeitura, deputados estaduais e federais — para exigir respeito e isonomia tarifária.
Queremos o que já foi nosso: mais voos, tarifas justas e o fim da política de exclusão aérea que castiga o interior da Bahia. Afinal, se é possível voar de Porto Alegre a Pelotas por R$ 179,90, por que Conquista paga quase o triplo para chegar à capital do próprio estado?




