Política e Resenha

Coisas que Só o Meu Coração se Lembra

 

 

Por Padre Carlos — 28 de maio de 2025, às 16:45

Tem dias em que o mundo continua… mas eu não.
Fico ali, parado — em silêncio — e sinto o tempo se acomodar dentro do meu peito, como uma saudade antiga que não avisa antes de chegar.
Não é dor, exatamente. É outra coisa. É uma saudade mansa, de coisas que talvez nem voltem.
Ou talvez nunca tenham acontecido do jeito que eu lembro. Mas meu coração insiste em guardar.

Eu me lembro do cheiro do café feito devagar nas manhãs de domingo.
Da voz da minha mãe chamando meu nome no fim da tarde.
Lembro do barulho da chuva tocando o telhado quando tudo ainda parecia mais simples.
Lembro do abraço que durou pouco… mas que meu corpo carrega até hoje.

Essas lembranças não me deixam.
Ficam aqui comigo, feito bilhetes que nunca entreguei, músicas que ninguém mais ouve, palavras que ficaram presas na garganta.
E às vezes, quando eu respiro mais fundo, elas voltam…
E me abraçam por dentro.

O tempo não apaga o que foi de verdade.
Só cobre com poeira o que a alma ainda sente, mesmo sem querer sentir.
E eu, que finjo esquecer… sei que no fundo continuo esperando.
Esperando um reencontro, um nome chamado com carinho, um toque que me lembre quem eu fui.

Se você está lendo isso agora, talvez também tenha pedaços seus guardados aí dentro.
Talvez também carregue amores que não disseram adeus.
Ou lembranças que ainda doem bonito.

E tudo bem.
A gente ainda pode viver devagar.
A gente ainda pode sentir bonito.
Mesmo que doa um pouco.
Mesmo que seja só por dentro.