
Um esquema estruturado de furto de gado, abate clandestino e comercialização irregular de carne bovina foi desarticulado pela Polícia Civil da Bahia na manhã desta quarta-feira (4), durante a deflagração da Operação Harpia. A ação ocorreu nos municípios do Sul e Sudoeste do estado e envolveu uma investigação que se estendeu por cerca de cinco anos.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais do ramo de açougues. Dois desses mandados foram executados no município de Pau Brasil, enquanto outros 12 ocorreram em Porto Seguro. Além das buscas, seis pessoas foram presas em suas residências, localizadas nos bairros Cambolo, Baianão e no distrito de Pindorama, também em Porto Seguro.
Entre os detidos está uma mulher apontada pelas investigações como responsável pela logística de locação dos veículos utilizados no transporte dos animais furtados. Segundo a Polícia Civil, o grupo operava de forma organizada, com divisão de funções e participação direta de proprietários de açougues, que utilizavam seus próprios estabelecimentos para dar aparência de legalidade à carne de origem ilícita.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil de Itapetinga, estima que o prejuízo causado aos produtores rurais da região alcance aproximadamente R$ 2 milhões. De acordo com os levantamentos, os criminosos escolhiam propriedades rurais mais afastadas e realizavam o abate dos animais durante a madrugada, no próprio pasto, sem qualquer controle sanitário ou técnico.
Após o abate, a carne era transportada sem refrigeração adequada e comercializada a preços inferiores aos praticados no mercado formal. Essa prática, além de caracterizar crime patrimonial e contra as relações de consumo, ampliava significativamente os riscos à saúde pública.
Durante as diligências, os policiais apreenderam carnes armazenadas de forma irregular, equipamentos utilizados no abate clandestino e diversos documentos que devem contribuir para a identificação de outros envolvidos e possíveis receptadores do produto. Os investigados poderão responder por furto qualificado, crimes contra as relações de consumo e infrações sanitárias.
A Operação Harpia foi coordenada pela 21ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Itapetinga), com apoio da 23ª Coorpin (Eunápolis). As investigações continuam, com o objetivo de aprofundar a identificação de todos os integrantes da organização criminosa e mapear a extensão completa do esquema.
(Maria Clara)




