
(Padre Carlos)
Em tempos de aridez espiritual e desconfiança generalizada nas instituições, testemunhar um agente político fazer pública profissão de fé é mais do que simbólico — é profético. Foi exatamente isso que vimos nesta tarde com a manifestação do vereador Luiz Carlos Dudé, um dos leigos mais atuantes e engajados da nossa Arquidiocese de Vitória da Conquista.
Ao comentar a eleição de Frei Marcos Martins como novo Ministro Provincial dos Frades Capuchinhos da Bahia e Sergipe, Dudé não apenas fez uma saudação de cortesia. Fez mais. Manifestou gratidão, esperança, comunhão e oração. Num gesto simples e sincero, reafirmou sua identidade cristã e sua ligação com a Igreja que não é apenas institucional, mas existencial.
Numa época em que o discurso religioso costuma ser instrumentalizado para fins ideológicos ou eleitorais, a atitude do vereador Dudé se distingue por sua autenticidade. Ele não fala de fora da Igreja, nem apenas para ela. Ele fala como quem vive dentro dela, como um leigo que participa das festas, dos movimentos, das pastorais, e que reconhece na vida religiosa consagrada — como a dos Frades Capuchinhos — um testemunho necessário ao mundo.
A eleição de Frei Marcos Martins, que esteve entre nós na recente Festa de Santo Antônio, é, sem dúvida, uma bênção para a Província e para toda a Igreja do nosso tempo. Sua missão não será fácil: liderar irmãos num tempo de secularização, conduzir com espírito franciscano as obras sociais e espirituais da Ordem, manter viva a chama do carisma de São Francisco em meio aos desafios do presente. E é aí que a prece de Dudé se torna também a nossa: que a Virgem da Piedade o acompanhe e que São Francisco o inspire!
Quando um político se recorda de pedir que Deus fortaleça e conduza um ministro religioso em sua missão, ele não está apenas demonstrando fé pessoal — está restaurando pontes entre fé e política, entre altar e praça pública, entre templo e plenário. E quando isso acontece com humildade, reverência e verdade, temos motivos para agradecer.
A política não precisa ser cínica, nem a fé precisa ser alienada. O gesto do vereador Dudé nos lembra que é possível ser cidadão e discípulo, representante do povo e servo de Deus, legislador e irmão de caminhada.
E isso, num Brasil tão fragmentado, é um testemunho que não pode ser ignorado.




