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VITÓRIA DA CONQUISTA É A MAIS SEGURA DA BAHIA, E OS NÚMEROS COLOCAM A POLÍTICA CONTRA A PAREDE!
Por Padre Carlos
Há momentos em que a realidade impõe uma pergunta incômoda até mesmo aos adversários mais convictos de uma administração: e se o governo que eu combato estiver apresentando resultados melhores do que eu gostaria de admitir?
É uma pergunta desconfortável, sobretudo na política, onde muitos preferem torcer pelo fracasso do adversário a reconhecer um resultado positivo. Mas os números têm uma característica que incomoda os discursos prontos: quando são consistentes, exigem explicações.
Foi pensando nisso que me deparei com a notícia brutal vinda de Jequié, no sudoeste baiano. Na madrugada de 17 de outubro, uma mulher foi retirada à força de dentro de casa por homens encapuzados e morta a tiros. Segundo a imprensa regional, o município havia registrado oito homicídios em apenas sete dias. Um cenário aterrorizante, que revela a dimensão do desafio da segurança pública na Bahia. A investigação sobre o assassinato continua sob responsabilidade da Polícia Civil. (bahianoticias.com.br)
Diante de uma tragédia como essa, não há espaço para comemoração política. Há uma vida perdida, uma família destruída e uma sociedade que precisa cobrar respostas. Mas existe, também, uma obrigação de olhar para os indicadores e perguntar por que cidades do mesmo estado apresentam realidades tão diferentes.
E é aí que Vitória da Conquista entra nessa história.
OS NÚMEROS QUE A POLÍTICA NÃO PODE IGNORAR
Enquanto a violência assusta municípios baianos, Vitória da Conquista aparece em posição de destaque nos indicadores de segurança pública.
De acordo com os dados divulgados pela Prefeitura com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, a cidade registrou, em 2025, uma taxa de 9,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a menor entre os municípios baianos com mais de 100 mil habitantes. No mesmo levantamento, Eunápolis registrou 85,1. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
A diferença é extraordinária: a taxa de Eunápolis foi aproximadamente 9,4 vezes a de Vitória da Conquista.
Não estamos falando de uma pequena variação estatística. Estamos falando de indicadores que revelam realidades muito diferentes para quem sai de casa para trabalhar, leva os filhos à escola, fecha o comércio à noite ou simplesmente deseja viver sem medo.
E há outro dado que merece atenção: segundo a mesma publicação municipal, Vitória da Conquista passou de 209 vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em 2016 para 34 em 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, os registros caíram de 74 para 34. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
GRÁFICO 1 — A QUEDA DA VIOLÊNCIA LETAL EM CONQUISTA
O gráfico abaixo apresenta os números de vítimas de CVLI informados pela Prefeitura. A comparação entre 2016 e 2025 aponta uma redução de aproximadamente 83,7%.
Vítimas de CVLI em Vitória da Conquista
Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Os valores de 2016, 2024 e 2025 são os divulgados pela Prefeitura para vítimas de CVLI. (Fonte)
A queda de 209 para 34 vítimas não é um detalhe que possa ser varrido para debaixo do tapete. São 175 vítimas a menos na comparação entre os dois anos, uma redução de aproximadamente 83,7%.
É claro que uma comparação histórica não prova, por si só, que uma única gestão produziu toda essa mudança. Segurança pública depende da atuação conjunta das polícias, do sistema de Justiça, dos governos estadual e federal, da Prefeitura e da própria sociedade. Mas seria igualmente errado ignorar a contribuição que políticas municipais de prevenção, iluminação, ocupação dos espaços públicos e proteção comunitária podem oferecer.
A pergunta correta não é se a Prefeitura merece todos os créditos. A pergunta é: quais políticas estão funcionando, qual é a participação de cada instituição e como podemos fazer esses resultados avançarem?
UMA DIFERENÇA QUE GRITA: 9,1 CONTRA 85,1
GRÁFICO 2 — TAXA DE MORTES VIOLENTAS INTENCIONAIS EM 2025
Duas realidades da segurança na Bahia
Taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. As taxas referem-se a 2025. (Fonte)
O gráfico deixa evidente o tamanho do contraste. A taxa registrada em Eunápolis foi aproximadamente 9,4 vezes a de Vitória da Conquista. Isso não significa que Conquista esteja livre da criminalidade, nem que os municípios tenham as mesmas condições sociais e demográficas. Significa, porém, que a diferença merece investigação, atenção pública e reconhecimento.
E há um detalhe importante: Vitória da Conquista não está sendo comparada com uma cidade pequena e isolada, mas com municípios baianos de porte relevante.
NÃO É SÓ SEGURANÇA: CONQUISTA TAMBÉM SE DESTACA NA QUALIDADE DE VIDA
A segurança não é o único indicador favorável à cidade.
Em julho de 2024, o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil colocou Vitória da Conquista na primeira posição entre os 417 municípios baianos avaliados, com nota 64,03. O índice considera dimensões que vão além da economia, incluindo necessidades humanas básicas, bem-estar e oportunidades. (Prefeitura de Vitória da Conquista)
INDICADORES QUE MERECEM ATENÇÃO
Segurança pública
9,1
Mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025.
Redução de vítimas de CVLI
−83,7%
De 209 vítimas em 2016 para 34 em 2025, segundo os dados divulgados pela Prefeitura.
Índice de Progresso Social — IPS 2024
64,03
Maior pontuação entre os 417 municípios baianos avaliados naquele levantamento de qualidade de vida.
Fontes: Prefeitura de Vitória da Conquista e levantamentos citados no texto. Os indicadores pertencem a anos e metodologias diferentes; não devem ser interpretados como uma única medida de desempenho.
Esses números ajudam a compreender por que a cidade conquistou uma reputação positiva em segurança e qualidade de vida. Mas também impõem uma obrigação: preservar o que funciona, identificar o que ainda precisa melhorar e evitar que um bom resultado vire motivo para acomodação.
Afinal, um município pode apresentar bons indicadores de segurança e continuar enfrentando problemas de saúde, mobilidade, saneamento, desigualdade e atendimento público. Reconhecer os avanços não significa fechar os olhos para as deficiências.
Significa avaliar a administração com critérios, e não apenas com paixões partidárias.
AFINAL, É SORTE OU COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA?
Chegamos à pergunta que interessa ao debate político de Vitória da Conquista.
É tudo sorte? É apenas uma circunstância favorável? Ou existe uma combinação de políticas públicas, planejamento, prevenção e atuação institucional que ajuda a explicar os resultados?
A resposta responsável exige examinar as políticas adotadas, os investimentos realizados, as séries históricas e a participação de cada esfera de governo. Os dados disponíveis mostram uma evolução expressiva nos registros de violência letal, mas não autorizam atribuir toda a redução exclusivamente à Prefeitura.
Ainda assim, seria intelectualmente desonesto fingir que esses indicadores não existem.
A gestão municipal liderada por Sheila Lemos tem razões para apresentar os resultados favoráveis como parte de seu balanço administrativo. A oposição, por sua vez, tem todo o direito de questionar prioridades, cobrar transparência, apontar problemas e exigir resultados ainda melhores.
O que não faz sentido é transformar a disputa política numa competição para ver quem consegue negar com mais veemência os números que não lhe convêm.
Se os indicadores melhoraram, cabe investigar por quê. Se uma política pública contribuiu para a melhora, cabe reconhecer sua importância. Se outros fatores foram decisivos, cabe demonstrá-los. É assim que se faz oposição séria: com dados, argumentos e propostas capazes de superar aquilo que se critica.
A oposição não precisa elogiar a prefeita. Precisa, porém, explicar os fatos.
O PREÇO DE NÃO RECONHECER A REALIDADE
Existe uma armadilha na política: quando o adversário administra, alguns passam a tratar qualquer resultado positivo como propaganda e qualquer dificuldade como prova definitiva de incompetência.
Essa postura pode render aplausos entre os próprios apoiadores, mas empobrece o debate público.
Vitória da Conquista tem problemas reais. Sua população tem o direito de cobrar serviços melhores, bairros mais bem cuidados, saúde eficiente, educação de qualidade e segurança permanente. Nenhum ranking substitui a experiência cotidiana do cidadão.
Mas também é preciso reconhecer quando a cidade se destaca diante de outras realidades baianas. Isso não é submissão política. É honestidade intelectual.
E aqui está o ponto mais provocador: quando os números favoráveis se acumulam, a oposição precisa apresentar mais do que indignação; precisa oferecer uma explicação convincente e um projeto melhor.
Se a administração apresenta indicadores positivos em segurança e qualidade de vida, o debate deve avançar para as causas, a sustentabilidade desses resultados e as medidas necessárias para mantê-los. A cidade não ganha nada com uma oposição que torce pelo fracasso, assim como não ganha com uma situação que se considera imune a críticas.
CONCLUSÃO: OS NÚMEROS NÃO VOTAM, MAS COBRAM EXPLICAÇÕES
A tragédia de Jequié nos lembra que a violência não é uma abstração estatística. É sofrimento humano, medo e vidas interrompidas. Não devemos explorar essa dor para atacar adversários, mas podemos usá-la como ponto de partida para refletir sobre as diferenças entre as políticas e os resultados das cidades baianas.
Vitória da Conquista tem indicadores que merecem ser examinados com seriedade. Os números de violência letal divulgados pela Prefeitura apontam uma redução importante, e o IPS de 2024 colocou o município na liderança estadual naquele levantamento de qualidade de vida.
Isso não prova que tudo esteja perfeito, nem encerra a discussão sobre a responsabilidade de cada governo. Mas torna inevitável uma pergunta para quem pretende disputar politicamente os rumos da cidade: o que está funcionando, o que precisa melhorar e qual alternativa concreta pode entregar resultados superiores?
Talvez seja difícil fazer oposição quando o adversário apresenta números positivos. Difícil, mas não impossível. Uma oposição preparada transforma bons resultados em referência, identifica os limites da gestão e propõe avanços.
O que não pode é exigir que a população ignore os dados apenas porque eles favorecem um governo de que não gosta.
No fim, a pergunta não é se devemos gostar de quem administra Vitória da Conquista. A pergunta é se temos coragem de reconhecer o que funciona, cobrar o que falha e exigir que a cidade avance ainda mais.
Porque, na política, a paixão pode mobilizar torcidas. Mas são os resultados — e a capacidade de explicá-los — que sustentam a credibilidade.
Nota editorial: os dados de segurança citados foram divulgados pela Prefeitura com referência ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Para publicação, recomenda-se conferir as tabelas originais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do IPS Brasil, especialmente as definições de CVLI, mortes violentas intencionais e os períodos de referência.
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