
Padre Carlos
Inhobim viveu mais do que um domingo de festa. Viveu um raro momento em que a política saiu do discurso e encontrou a realidade concreta da comunidade. E quando isso acontece, é preciso reconhecer — mas também refletir.
O projeto Formando Campeões chega como um sopro de esperança em tempos onde a juventude, muitas vezes, é empurrada para a margem. O esporte, nesse contexto, deixa de ser lazer e passa a ser política pública de inclusão social, uma ferramenta poderosa de transformação, especialmente quando alcança crianças que enfrentam desafios como o TDAH e o autismo.
Mas o que torna esse momento ainda mais significativo não é apenas o projeto em si. É o cenário que o cerca.
Ali, na Rua Plínio Flores, não houve apenas promessas. Houve resposta. A comunidade cobrou — e a gestão apareceu. A presença da prefeita Sheila Lemos, ao lado de Osmário, coordenador da subprefeitura, simboliza algo que deveria ser regra, mas ainda é exceção no Brasil: o poder público ouvindo e retornando à população.
E mais do que isso, apresentando caminhos.
Fala-se em cobertura da área central, revitalização da praça, construção de uma Areninha em parceria com a deputada Roberta Roma, além de pavimentações já mapeadas e planejadas. Não são ideias soltas. São projetos com direção, aguardando o combustível essencial da gestão pública brasileira: o recurso.
Mas há um detalhe que merece destaque — e respeito. A preocupação em não asfaltar antes da infraestrutura básica estar pronta, aguardando a atuação da Embasa, revela algo que vai além da política de aparência. Revela responsabilidade.
Porque o Brasil já se acostumou com obras que começam bonitas e terminam rasgadas — literalmente.
Inhobim, ao que tudo indica, quer fazer diferente.
É preciso dizer: reconhecer avanços não é abrir mão da crítica. Pelo contrário. É fortalecê-la. Uma comunidade que cobra e também agradece mostra maturidade política. E maturidade é o que mais falta em tempos de radicalização vazia.
O que se viu ali foi um pacto silencioso: a população vigilante e o poder público responsivo. Um equilíbrio delicado, mas essencial para qualquer projeto de desenvolvimento local que se pretenda sério.
Agora, como sempre, o tempo será o verdadeiro juiz.
Projetos sociais precisam de continuidade. Obras precisam sair do papel. Recursos precisam chegar. E promessas precisam sobreviver ao calendário eleitoral.
Porque Inhobim não precisa apenas de um dia de festa.
Precisa de permanência.
Se o que foi anunciado se concretizar, não estaremos falando apenas de esporte, pavimentação ou praças reformadas. Estaremos falando de dignidade, de cidadania e de futuro.
E isso, no Brasil de hoje, já seria uma grande vitória.




