
Vitória da Conquista
No alto do planalto, onde o vento pensa,
Vitória da Conquista acorda em silêncio antigo.
As manhãs chegam frias como oração,
e o dia se abre devagar,
como quem respeita a própria história.
Mas é ao entardecer que a cidade se revela.
O sol, cansado de caminhar o mundo,
vem morrer manso atrás do Cristo Operário,
tingindo de ouro e cobre o céu da cidade.
Seus braços abertos não pedem aplauso,
apenas acolhem:
o trabalhador, o sonhador, o cansado,
o que ainda espera.
Ali, o pôr do sol não é paisagem:
é liturgia.
O céu se ajoelha em tons de fogo e violeta,
e a cidade aprende, mais uma vez,
que resistir também é belo.
E quando os sinos do tempo ecoam,
Nossa Senhora das Vitórias caminha invisível
pelas ruas,
abençoando casas simples e corações complexos.
Ela conhece cada dor escondida,
cada promessa feita em segredo,
cada mãe que reza baixinho
para que a vida seja menos dura que o inverno.
As flores de Conquista não gritam cores,
elas sussurram.
Nascem firmes, discretas,
como quem aprendeu a florescer apesar do frio.
Em praças, jardins e quintais,
ensinam que beleza também é resistência.
E as mulheres…
ah, as mulheres de Vitória da Conquista.
Não são apenas belas —
são inteiras.
Carregam no olhar a coragem do sertão,
na fala a doçura que não se rende,
no passo a elegância de quem sabe
de onde veio e para onde vai.
São, sem exagero,
algumas das mulheres mais lindas do Brasil
porque misturam força e ternura
como quem transforma vida em poesia.
Vitória da Conquista não se explica.
Se sente.
É cidade que reza com os pés no chão
e os olhos no horizonte.
Onde o sol se despede com dignidade,
o Cristo acolhe em silêncio,
Nossa Senhora vela em amor,
e o povo — flor, mulher, trabalhador —
segue fazendo da vida
um ato diário de esperança.




