Política e Resenha

Francisco Cuoco (1933‑2025): a despedida de um ícone da teledramaturgia brasileira

 

 

São Paulo, 19 de junho de 2025 – O Brasil se despede de Francisco Cuoco, grande nome da televisão, cinema e teatro. Aos 91 anos, o ator faleceu hoje em São Paulo, encerrando uma carreira que atravessou décadas e deixou marcas inesquecíveis na dramaturgia nacional

🕯️ O adeus a um galã inesquecível

Conhecido como referência de galã sofisticado e versátil, Cuoco estreou na TV Tupi em 1957 e posteriormente brilhou em emissoras como Excelsior, Record e, principalmente, na Globo, a partir de 1970  Em suas décadas de atuação, protagonizou personagens que se tornaram parte da cultura brasileira.

Retrato de grandes interpretações

  • Gilberto Athayde em O Cafona (1971): um jovem idealista e sonhador, papel que desafiou estereótipos e lançou uma narrativa da elite urbana

  • Cristiano Vilhena em Selva de Pedra (1972): personagem que marcou sua habilidade em encarnar dramas e conflitos familiares

  • Carlão em Pecado Capital (1975): inesquecível taxista cujo trágico fim chocou o Brasil — o primeiro protagonista a morrer no final de novela .

  • Herculano Quintanilha em O Astro (1977): vidente carismático e enigmático, que consolidou seu talento em personagens complexos .

  • Paulo Della Santa/Denizard em O Outro (1987): dupla interpretação perfeita, que mostrou sua versatilidade ao interpretar sósias com perfis opostos .

Legado e reconhecimento

Ao longo de sua carreira, Cuoco recebeu prêmios como APCA, Arte Qualidade Brasil e quatro Troféus Imprensa . Referência de novos atores, era cultuado por colegas e jovens talentos, como Elizabeth Savalla, que o definiu como “o ator certo, na hora certa”

O homem por trás dos papéis

Em seus últimos anos, enfrentou questões de saúde – enfrentava sobrepeso, problemas de locomoção e ansiedade –, mas mantinha o orgulho pela trajetória construída . Mesmo afastado das novelas desde 2020, participou do especial “Tributo”, exibido em junho, onde refletiu com sensibilidade sobre a arte de atuar

A ausência de um protagonista

Francisco Cuoco deixa um vazio imenso na dramaturgia brasileira. Sua morte marca o fim de uma era, mas seu trabalho permanecerá vivo através de personagens marcantes, cenas memoráveis e inspiradoras para muitas gerações.

Que sua trajetória continue a ser exemplo de talento, dedicação e elegância. Como disse ele mesmo em homenagem, “ser ator é viver num estado de desamparo que só cessa no encontro com o outro” . E, de fato, esse encontro com o público eternizou sua arte.


Viva Francisco Cuoco (29/11/1933 – 19/6/2025). Obrigado por tantos momentos de emoção e beleza – sua obra continuará a nos inspirar.