Política e Resenha

Iguá vive um domingo histórico: cidadania, assistência social e políticas públicas chegando às famílias

 

 

 

 

Há momentos em que a política deixa de ser discurso e se torna presença. Neste domingo, em Iguá, aconteceu exatamente isso. A 24ª edição do Suas na Comunidade não foi apenas mais uma ação de governo — foi a demonstração prática de que políticas públicas podem chegar onde sempre deveriam estar: perto das pessoas, especialmente as que vivem longe do centro urbano e mais precisam do Estado.

Enquanto muito se fala em assistência social, a Prefeitura de Vitória da Conquista decidiu fazer algo que nem sempre é lembrado no debate público: levar a proteção social até a porta das famílias. E isso faz diferença. São cerca de 4.700 atendimentos realizados desde o início do programa, contemplando moradores dos condomínios Minha Casa Minha Vida e da zona rural — números que reforçam a força de iniciativas que descentralizam direitos.

A prefeita Sheila Lemos foi direta ao afirmar que o Suas na Comunidade “veio para ficar”. Pode ser apenas uma frase política para alguns, mas para quem mora longe do Cras urbano e depende de certidões, atendimento social, vacinação, habitação ou regularização de documentos, essa fala representa mais do que promessa — representa cidadania acessível.

E esse conceito de assistência social ampliada fica evidente quando se vê crianças participando de atividades socioeducativas do Creas, adolescentes em rodas de conversa sobre desenvolvimento saudável, agricultores acessando serviços públicos, e famílias recebendo orientações sobre as condicionalidades do Bolsa Família. É política pública funcionando na vida real.

O secretário Michael Farias reforça o que a prática já evidencia: quando o poder público se aproxima dos territórios, o resultado é convivência comunitária fortalecida, mais informação e vidas transformadas. Do ponto de vista técnico, o impacto é mensurável: Vitória da Conquista lidera o ranking do Índice de Gestão Descentralizada (IGD-M) entre os municípios baianos com mais de 200 mil habitantes. Não é por acaso — esse resultado nasce de ações concretas como a deste domingo.

O depoimento da moradora Aneli Barbosa é simbólico: pedir uma segunda via de certidão de nascimento pode parecer simples para quem tem carro, internet e tempo. Para quem não tem, é um abismo burocrático. Quando a comunidade diz “que volte mais vezes”, é porque o Estado chegou em casa. E chegou do jeito certo.

É preciso dizer com todas as letras: essa iniciativa merece continuidade, reforço, ampliação e acompanhamento permanente. O Suas na Comunidade não deve ser apenas mais um programa — deve ser uma política pública estruturante, capaz de reduzir desigualdades históricas entre a zona urbana e a zona rural.

A sociedade conquistense, especialmente quem vive na zona urbana e muitas vezes desconhece essa realidade, precisa compreender a importância estratégica dessa ação. Políticas de proteção social são investimentos — não despesas. Elas fortalecem territórios, garantem dignidade e ampliam o acesso à saúde, educação, moradia e documentação civil.

Quando uma prefeitura coloca os direitos de todos acima da lógica burocrática, nasce algo raro na política: confiança. E confiança constrói futuro.