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Por Padre Carlos
A imagem do prefeito de Feira de Santana, ladeado pelo ministro dos Transportes Renan Filho e pelo governador Jerônimo Rodrigues, celebrando a duplicação do anel de contorno da cidade, representa mais do que um avanço de infraestrutura: ela simboliza o poder da articulação política e da vontade administrativa. Uma obra aguardada por anos, agora impulsionada por um investimento de R$ 179,42 milhões, com previsão de entrega em apenas um ano, é, sem dúvida, um marco para os feirenses. Contudo, essa imagem vibrante e otimista traz à tona uma dolorosa reflexão: e Vitória da Conquista?
Enquanto a Princesa do Sertão experimenta a concretização de um antigo sonho, a maior cidade do sudoeste baiano amarga um cenário de abandono e negligência. A duplicação da BR-116, a construção de viadutos e outras intervenções que garantiriam segurança e fluidez ao tráfego urbano foram postas de lado, soterradas pela ineficiência e falta de compromisso da ViaBahia – uma concessão que já deveria ter sido revogada por desrespeito às mínimas exigências de um contrato público. A prefeita Sheila Lemos tem se mostrado incansável nas cobranças, alertando para o caráter emergencial das intervenções. Mas, até aqui, clama no deserto de promessas não cumpridas.
O contraste é gritante – e inaceitável. Se em Feira de Santana a duplicação do anel rodoviário será finalizada em um ano, em Vitória da Conquista, projetos similares contam com prazos absurdos de oito anos, isso se saírem do papel. O descompasso entre as regiões não é técnico, mas político. E é aí que mora a indignação.
A injustiça se aprofunda ainda mais quando olhamos para o norte baiano. Em Juazeiro, o governo federal avança com a duplicação de uma ponte, a extensão do projeto até a rotatória da Ceasa e a construção de três viadutos. Tudo com recursos 100% públicos. Nada de pedágios, nada de concessões, nada de ônus adicional ao cidadão. Um investimento de R$ 180 milhões que escancara o verdadeiro divisor de águas: a prioridade política. Há, sim, dinheiro público. Falta é decisão para que ele chegue a quem também precisa – e merece.
Não se trata de apontar o dedo para o progresso de outras cidades. Feira de Santana e Juazeiro merecem seus avanços, assim como qualquer município que luta por dias melhores. O problema está na ausência de isonomia, no critério desigual com que o governo federal, por meio do DNIT, distribui os investimentos em infraestrutura. Vitória da Conquista não pode continuar sendo a exceção em um estado que avança em diferentes frentes com recursos públicos diretos.
É inaceitável que se insista na privatização como única solução para a malha viária conquistense, quando há provas concretas de que é possível realizar obras estruturantes sem recorrer à iniciativa privada. A concessão da ViaBahia é um fracasso evidente, um entrave ao desenvolvimento, e não pode continuar sendo o álibi para a inação.
Diante dessa realidade, Vitória da Conquista precisa reagir. A hora é de união. A sociedade civil, empresários, trabalhadores, lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes políticos – independentemente de filiações partidárias – devem formar uma frente única e coesa em defesa do que é justo. Não se trata de clamar por benesses. Trata-se de reivindicar o que é de direito.
A infraestrutura é base do progresso. É ela que atrai investimentos, que gera empregos, que reduz desigualdades e salva vidas. A cada dia de descaso, a população paga com acidentes, perdas econômicas e a sensação constante de que vive à margem das prioridades do Estado.
Vitória da Conquista não implora – exige. E a exigência é clara: o mesmo tratamento que o DNIT dispensou a Juazeiro e a Feira de Santana deve ser estendido à nossa cidade. O mesmo comprometimento, os mesmos recursos, o mesmo respeito.
Chega de passividade. É tempo de mobilização. A desigualdade regional não se resolve com discursos, mas com ação. E, enquanto houver um conquistense consciente, engajado e disposto a lutar, essa cobrança seguirá viva.
Vitória da Conquista quer – e vai – ser protagonista do seu próprio destino. Porque desenvolvimento não se mendiga. Se conquista.




