Por Padre Carlos
Vereadora de oposição surpreende ao colocar os interesses da população acima de disputas partidárias
Em tempos de polarização extremada e politicagem rasteira, surge em Vitória da Conquista um exemplo que deveria ser regra, mas infelizmente ainda é exceção: a vereadora Leia de Quinho tem demonstrado que é possível fazer oposição responsável sem abrir mão do compromisso genuíno com a população.
A postura da parlamentar diante do projeto de crédito de R$ 400 milhões que tramita na Câmara Municipal revela uma maturidade política rara nos dias atuais. Enquanto muitos se escondem atrás de posições partidárias inflexíveis, Leia de Quinho ousa dizer o óbvio que poucos têm coragem de admitir: quando um projeto é bom para a cidade, merece apoio, independentemente de quem o propõe.
O Gesto Republicano que Faltava
Ao visitar os bairros Senhorinha Cairo e Convema 2, a vereadora não apenas constatou o óbvio – a precariedade da infraestrutura –, mas assumiu um compromisso público que define o verdadeiro espírito republicano: apoiar projetos que beneficiem a população, mesmo vindo do governo que ela fiscaliza e critica quando necessário.
As imagens são chocantes e conhecidas por quem vive essas realidades: ruas alagadas na Rua das Limeiras, valetas profundas na Rua 4 do Convema 2, lama e poeira que dificultam o acesso das pessoas aos serviços básicos. Problemas que não escolhem lado A ou lado B, esquerda ou direita. Problemas que exigem soluções, não discursos vazios.
Independência Que Inspira
O que mais impressiona na postura de Leia de Quinho é a liberdade política com que conduz seu mandato. Declarar publicamente que “mesmo sendo vereadora de oposição, tenho liberdade política para votar com consciência” não é apenas uma frase de efeito – é um manifesto de independência em um cenário onde muitos parlamentares se comportam como meros carimbos de lideranças partidárias.
Essa independência não significa ausência de posicionamento ideológico ou falta de coerência. Pelo contrário. Significa compreender que o papel de vereador transcende as pequenas batalhas do dia a dia político e alcança algo maior: a transformação concreta da vida das pessoas.
A Coragem de Ficar do Lado do Povo
Em um ambiente político muitas vezes contaminado pelo “oposicionismo de torcida organizada” – onde se torce contra tudo o que vem do adversário –, Leia de Quinho demonstra que existe outra forma de fazer política. Uma forma que não confunde fiscalização rigorosa com obstrução sistemática, que não troca o interesse público por pequenas vinganças partidárias.
Ao afirmar que apoiará o projeto mas exercerá fiscalização sobre sua execução, a vereadora entrega à população conquistense um roteiro de como deve ser o trabalho parlamentar: aprovar o que é bom, rejeitar o que é ruim, e fiscalizar tudo com olhos atentos.
O Exemplo Que Conquista Precisa
Vitória da Conquista, como tantas cidades brasileiras, sofre com a falta de infraestrutura básica. Os R$ 400 milhões em discussão representam uma oportunidade concreta de mudança. Mas recursos só se transformam em melhorias quando há vontade política genuína e fiscalização efetiva.
É justamente essa combinação que Leia de Quinho oferece: o apoio necessário para que projetos importantes avancem e a vigilância indispensável para que esses recursos cheguem onde devem chegar – nas ruas, nas escolas, nos postos de saúde, na vida real das pessoas.
Democracia em Ação
O gesto da vereadora não é apenas republicano; é profundamente democrático. Democracia não é apenas votar de quatro em quatro anos. Democracia é ter representantes que colocam os interesses da coletividade acima de interesses pessoais ou partidários. É ter parlamentares que não têm medo de contrariar cartilhas prontas quando a razão e o bem comum assim exigem.
Leia de Quinho está mostrando aos conquistenses que política pode – e deve – ser feita de outra forma. Uma forma que prioriza resultados sobre retóricas, soluções sobre slogans, pessoas sobre partidos.
Se mais vereadores seguissem esse exemplo, Vitória da Conquista seria não apenas uma cidade melhor, mas um farol de esperança de que a política brasileira pode, sim, se renovar. E que essa renovação começa não com grandes revoluções, mas com gestos simples de coragem, honestidade e compromisso com a verdade.
As ruas esburacadas do Senhorinha Cairo e do Convema 2 aguardam. E têm em Leia de Quinho não apenas uma voz que denuncia, mas uma representante que trabalha, fiscaliza e, quando necessário, tem a grandeza de apoiar. Isso é fazer política à altura do que o povo merece.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor.





