
A literatura sempre teve o poder de retratar as paixões humanas em suas contradições, revelando a complexidade da alma e dos dramas cotidianos. O escritor Ramiro Oliveira, presidente da Academia Itapetinguense de Letras, acaba de lançar em Itapetinga seu mais novo livro “Mulheres traídas, maridos inocentes”, uma obra baseada em fatos reais que mergulha no universo das aventuras amorosas e das histórias curiosas que circulam na vida de qualquer comunidade.
O lançamento, realizado na Academia Itapetinguense de Letras, não foi apenas a celebração de mais um título que entra para o acervo da literatura regional. Foi, sobretudo, um ato de afirmação cultural. O auditório cheio de amigos, professores, acadêmicos e entusiastas da literatura mostrou que ainda há espaço para a valorização da escrita local, sobretudo quando nasce da experiência vivida, do olhar sensível e do compromisso de contar histórias que nos pertencem.
Ramiro, aos 68 anos, soma em sua trajetória não apenas a escrita de oito livros, mas também a pluralidade de profissões e vivências: contador, contador de histórias, praticante de acupuntura, professor, e, acima de tudo, um homem que transforma vivências em narrativas. Seu estilo é marcado pela simplicidade e pela clareza, fazendo com que suas obras alcancem leitores de diferentes gerações.
O título do novo livro, por si só provocativo, revela o interesse do autor em dialogar com o público sobre temas universais: a traição, a inocência, o amor e o destino humano. São histórias que carregam tanto a dor quanto o humor, a ironia da vida e a capacidade de superação. Ao registrar essas experiências em linguagem acessível, Ramiro não apenas entretém, mas preserva a memória de uma geração, transformando em literatura aquilo que poderia se perder no tempo.
Mais do que um lançamento, o evento reafirmou a importância das Academias de Letras no interior do Brasil. Em tempos de globalização, é preciso reconhecer que a Academia Itapetinguense de Letras se mantém viva há 25 anos, revelando talentos e abrindo caminhos para jovens escritores, como a pequena Cristal Guzmão, de apenas 11 anos, que já começa a dar seus primeiros passos na escrita. Esse encontro entre gerações mostra que a literatura não morre: ela se reinventa no olhar dos que ousam escrever.
O livro de Ramiro Oliveira é também uma prova de que Itapetinga é um celeiro cultural. Cidade que já se destacou por sua tradição agropecuária, revela-se também como terra de poetas, cronistas e narradores de histórias. Valorizar esse patrimônio é um ato de resistência cultural e, ao mesmo tempo, de esperança.
“Mulheres traídas, maridos inocentes” não é apenas mais um título no mercado editorial. É um marco para a literatura baiana e, sobretudo, para a literatura regional, que ainda pulsa com vigor e verdade. Celebrar Ramiro Oliveira é celebrar o poder da palavra, a força da memória e o compromisso de manter viva a chama da cultura.
( Padre Carlos )




