
(Padre Carlos)
O corpo do motorista de aplicativo Marcos Fernandes dos Santos, de apenas 31 anos, encontrado pendurado numa árvore com sinais brutais de violência, é mais do que uma tragédia pessoal — é o grito abafado de um povo inteiro que vive sitiado pelo medo. A cada dia, a Bahia enterra mais uma vítima da barbárie, enquanto seus governantes enterram a cabeça na areia da omissão.
Vitória da Conquista, que já foi chamada de capital do Sudoeste, agora protagoniza cenas de um roteiro que lembra as piores distopias: corpos em matagais, veículos depredados, jovens assassinados, famílias destruídas. Marcos não era criminoso. Não estava armado. Não praticava delito. Ele trabalhava. Saíra de casa, como todos os dias, para exercer uma profissão que exige coragem: transportar desconhecidos por uma cidade cada vez mais dominada pelo crime e pela insegurança.
O que estamos vivendo não é apenas uma onda de violência. É um colapso do Estado. É o triunfo da impunidade. É o abandono da população trabalhadora, que, sem segurança pública eficiente, torna-se presa fácil para facções, assaltantes, psicopatas e justiceiros. Quantos mais precisarão morrer para que se tome providência?
A morte de Marcos Fernandes — brutal, covarde, desumana — deveria ser a gota d’água. Mas temo que, no deserto de empatia que virou a gestão pública da segurança na Bahia, será apenas mais um número. Mais um boletim. Mais um retrato do horror nas páginas frias da estatística. Isso é inaceitável!
A quem interessa uma Bahia rendida à criminalidade? Onde está o comando da Polícia? Onde estão as ações do Governo do Estado? Até quando iremos tolerar essa matança cotidiana, esse genocídio silencioso dos filhos e filhas do povo pobre e trabalhador?
Marcos era um de nós. Poderia ser nosso filho, nosso irmão, nosso amigo. Sua morte não pode ser apenas lamentada. Ela precisa ser denunciada, gritada, exigida como justiça. Que seu nome não se perca na banalidade do mal que se alastra. Que seu sangue não clame em vão.
Chega de medo. Chega de silêncio. Chega de covardia estatal. A Bahia sangra. E nós, baianos, não podemos mais fingir que estamos vivos quando a vida ao nosso redor está sendo sistematicamente executada.




